

“Em Rio Maior só se faz pão!”, adita o petiz quando lhe digo o que verti ao copo, em fim de tarde, vidraça virada à Estrela, noite caída e muita escritura para lavrar.
Seja como for, o engarrafamento do Dão, em Rio Maior, tem história. Longa. Como a das Caves Velhas, 1939; ou tantas outras empresas ali sedadas e no comércio do vinho. Do Nosso. E comerciantes, sonoros, mas que no Dezembro nunca deixaram de pagar aos lavradores, mau grado o resto.
O calendário agrícola 2021-2022 foi ameno, boa amplitude térmica e excelente safra.
Este Catedral Caves Velhas Tinto Reserva 2022 é pesado, untuoso, redondo, aborrecido no que podia bem ser escolha para todos os dias. Não me aquietou. E entretive-o com lascas de presunto, cura de 6 meses e um queijo rijo de rilhar dentes e casqueiro.
Seja. Se acham que o consumidor não liga ao engarrafamento desenganem-se.
Este saltou da garrafeira num fim de tarde, ainda antes do jantar. No escritório, a pensar em samarras, a teclar no meloso início de noite, voltou chato. Aborrecido. Não tem merecimento na minha empáfia de arrogante vínico. Anarco vinícola diria o Plácido.
Aborrecido, pasmado, chato. Nem os livros, na retaguarda lhe valeram.
E, contudo, rolha bonita, pensada e história. A História das Caves Velhas remonta às Adegas Camillo Alves, no comércio de vinhos desde 1881, quando João Camillo Alves iniciou atividade.
A prole entrou no negócio, e hoje é marca para a região do Dão.
A Enoport Produção de Bebidas que o comercializa terá as suas razões. E que traz ele com ele? Metade Tinta-Roriz, Alfrocheiro a 30 e Touriga-Nacional a 20%. Um vinho de lote, intenso e, todavia, pasmado. Que os 13% não souberam merecer.
Por 5,95 euros, talvez seja razoável se estivermos distraídos, já na acutilância, só a cor, vermelho poderoso. Bebe-se e leva saudades. Que as não deixa.
Dançou, mas não entusiasmou.






