Abri-o a meio da manhã, a pensar na curta distância que me separava do almoço. Deitado no copo borbulhou, mostrando um vinho elegante, com personalidade. Nem esperei um minuto e gritei pela Anita. De nariz apurado, os vinhos são escolha dela, concordou com o veredicto. Um vinho brutal na sua simplicidade, no melhor momento.


Na boca é equilibrado, acidez viva e um final refrescante. O blend é comum no Dão: Malvasia-fina, Bical, Encruzado e sete euros em loja. Bem sei, é preciso procurar o que se quer beber. Uma rica manhã, por uns escassos 4,80 euros.
Com 12,5º, foi bebido de companhia e conversa, alinhavado por dois cigarros e um estomago aforrado, e habituado, a beber branco para aperitivar, fiquei banzado com a qualidade, o corpo e a untuosidade. Um vinho gordo, que nos desinquieta o pensamento e nos coloca logo por entre as cepas e a vadiar por sonhos. Pertinaz e robusto, não deve meças. Só prazer em beber no solilóquio da minha conversa.
Produzido pela Mariposa, de Lúcia Freitas, química feita enóloga, pessoa com quem gosto de conversar e sabedora. Esteve nos primórdios da Dão Sul, que marca o renascer do Dão e tem aquela sensibilidade para fazer do simples o muito bom. Sem pejo, nem obséquios, do melhor que já bebi este ano.
A Quinta da Mariposa é em Carregal do Sal, desenhada pelo António Correia, avô de Lúcia Freitas que responde pelas duas artes, a da enologia com a criação dos vinhos e a viticultura, o cuidar das cepas.
As uvas foram vindimadas manualmente, arrefecidas à entrada da adega, o frio essa inovação nas cubas e imediatamente prensadas. O mosto decantou em inox a baixa temperatura e de seguida fermentou em depósitos com temperatura controlada por forma a preservar todos os aromas das uvas.
Um amarelo vivo, bem calibrado, boa acidez e um grande final refrescante.
A vindima de 2019 foi complexa e longa, mas deu a este vinho boa classificação. Tempo seco e temperaturas moderadas, que proporcionaram maturações graduais, alguma chuva e bom estado de uvas na entrada da adega.
Um Branco nobre, de leve mineralidade, moderno, sem perder o carácter inconfundível do Dão.
Sim, este Florbela Branco 2019 é Soberbo.





