Palhete, nome feliz para um refresco. A lembrar o tinto de verano, castelhanices, que este Palhete é um vinho refrescante, bebido fresco.

Ora este Palhete é precisamente o refrigério que o tempo quente pede. Entrou de conversa, esplanada e cigarro, puxou à mesa, ainda se lá aguentou nas meias torradas com geleia picante. E, iria em frente, sem pejo, não fora a minha mania de não repetir vinhos e requerer potentado quando rilho.
O Kelman Palhete 2022 é um vinho intrigante, combina uvas tintas e brancas, resultando num estilo tradicional, distinto e estival. Grau bom a tarde acalorada, 12,5º, produzido pela Kelman Wines, que acrescentou à divisa family vineyard, que explica todo o contexto do projeto fundado por Juliana Kelman, uma luso-brasileira que, em 2013, regressou a Portugal para produzir vinhos no Dão. A sua filosofia baseia-se no respeito pelo caráter da região e na combinação de práticas ancestrais inteligentes, pisa a pé em lagares de granito e moderna enologia.


As vinhas da Kelman, estão em Nelas, a uma altitude média de 430 metros, contam com 6 hectares plantados no ano 2000 e, mais recentemente, 1,5 hectares de vinhas velhas, algumas plantadas em 1931. A produção é feita com mínima intervenção, sem rega e com colheita manual.

O termo “Palhete” refere-se a um estilo de vinho onde uvas tintas e brancas são fermentadas em conjunto. No caso do Kelman Palhete 2022, ele é feito a partir de uma mistura de 60% de uvas tintas e 40% de uvas brancas. As castas específicas não são detalhadas para este vinho, mas a Kelman foca-se nas castas tradicionais do Dão, como Touriga Nacional e Encruzado.
A vinificação é caracterizada pela mínima intervenção. A vindima é manual e as uvas são transportadas para a adega em pequenas caixas para preservar a sua integridade. O processo de fermentação é intencionalmente lento e suave, a uma temperatura controlada, para manter a integridade dos componentes aromáticos. O vinho é estagiado em inox, com contacto sobre as borras finas para desenvolver aromas e textura. No final é apenas filtrado.

O ano de 2022 no Dão proporcionou uma vindima com condições que permitiram a produção de vinhos com frescura e estrutura. As notas de prova do Palhete 2022 indicam uma acidez sonora e final salino, bom equilíbrio e mineralidade.
O vinho cativa-nos do primeiro ao último golo, frescor e estrutura, mineralidade. Na boca tem final prolongado. Elegante, resultado da curtimenta, processo de maceração das partes sólidas da uva com o mosto, durante a fermentação.



Na restauração, a botelha custa 14 euros, o que demonstra sensatez, na mesa mostra adstringência. E não quero laranjas neste meu vinho. De Verão e autêntico. E deverão provar. Curtimenta em vinhos Palhete, não confundir com o orange wine, brancos de curtimenta, vinificados como se fossem tintos. Para ser considerado “palhete”, a percentagem de uvas brancas não pode, geralmente, ultrapassar os 15% do total. No entanto, o Kelman Palhete 2022, com 40% de uvas brancas, parece ser uma interpretação mais regional, e está certificado pela Câmara de Provadores. A combinação das características das uvas brancas: acidez, frescura, notas florais e minerais, com a estrutura e fruta das tintas, resulta num vinho mais equilibrado e com um perfil único.
O Kelman Palhete 2022 diz ao que vem, expressão interessante e autêntica do Dão, com a complexidade de um vinho feito com a técnica ancestral do palhete. Ideal para estes dias quentes.






