O produtor é novo, o selo é de vinho de mesa, pormenor que se espera resolvido em breve, a certificação acrescenta valor, status e empondera marca e Região. Mais-valia ao negócio, que eu conheci o vinho ainda na cuba, via as videiras e a honestidade e frescura deste Malvasia Fina, que nos chega da Lageosa do Dão. Sim, as coisas acabam sempre por mudar.


O vinho, provado em dia de calor e muito erguer de copo, caiu-me bem em final de tarde estival. Já lhe tinha tomado peito de vésperas, encontrei-o límpido e brilhante, de cor citrina bem marcada. Ao nariz trouxe delicadeza, elegância e fineza. A Malvasia Fina é uma casta doce, perfumada, enamorada até, com boas notas de flor, um belo toque cítrico, mineralidade bem expressiva e uma untuosidade delicioso.

Encómios merecidos, a garrafa custa 12 euros indicou-me o produtor, e o vinho mostra-se seco, acidez elevada e muita frescura. Vivacidade. Este é dos que terá muita vida pela frente e, contudo, bebido já no embate do primeiro ano mostra textura delicada. Boa estrutura e equilíbrio, de perfil suave e aprumado. E aprimorado. No final, longo, persistência, enamorado, e todos os sabores bem expressivos de um vinho probo e leal.
A colheita de 2024 foi boa para os brancos, apesar de granizo, calor e fogos. Os brancos entraram perfeitos na adega, boa maturação, acidez e frescura. Tudo isto com os reparos da meteorologia, geou em Abril, algum desavinho e sobreviveram os melhores, até que Junho nos traz granizo, depois uma longa calmaria estival até à vindima.
O Cepas do Salgueiral Malvasia Fina reflete a casta, vinhos com bom equilíbrio entre álcool e acidez. Dizem-me, ou escrevo com os ouvidos, que a Malvasia Fina será das castas brancas a mais presente, embora o Encruzado esteja a ganhar músculo. Prometo desvendar a estatística. Gosto-lhe da subtileza, o pomar no doce da fruta.

Perfilado, fresco, complexo e mineral. Há muito, e bom branco no Dão, mas para isso, selo na botelha que o consumidor aprecia o garante.






