A União Comercial da Beira guarda em si tudo o que é o Dão. O produtor de Oliveirinha, em Carregal do Sal, nunca me desilude e este Monástico é um segredo bem guardado da região do Dão, clássico DOC que traz consigo a promessa de elegância, frescura e longevidade.


O lote é composto pelo quarteto de ouro do Dão, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen. Esta combinação é poderosa e fecunda, a Touriga dá a estrutura e o aroma floral; o Alfrocheiro traz a cor profunda e a maciez; a Tinta Roriz oferece corpo e notas de especiarias; e a Jaen confere a fruta exuberante e o equilíbrio de acidez.
Produzido pela União Comercial da Beira, que procura vinhos que respeitam a tipicidade da região, oferecendo produtos de confiança que chegam à mesa do consumidor com uma relação qualidade preço notável.

O ano de 2023 no Dão foi desafiante, mas generoso. Após um Inverno chuvoso que repôs as reservas de água, o Verão seco permitiu uma maturação equilibrada. O resultado, visível neste vinho de 13% vol., são tintos com excelente concentração de fruta, taninos polidos e a frescura mineral que o solo granítico da região impõe. Trata-se de um vinho posicionado num segmento de grande acessibilidade, habitualmente encontrado entre os 3€ e os 6€, dependendo do ponto de venda, provando que a qualidade não é um privilégio exclusivo de etiquetas luxuosas.

Aproxima-se o Natal, e a mesa portuguesa, esse altar de abundância e reencontro, exige vinhos que não sejam apenas líquidos, mas sim pontes de conversa. Surge a eterna questão, que vinhos colocar na mesa perante o desafio dos orçamentos?
O Monástico é a resposta humilde e vigorosa a essa inquietação. Colocar este vinho na mesa é um ato de sabedoria gastronómica. Muitas vezes, perdemo-nos na ditadura do rótulo, esquecendo que o prazer de um vinho reside na sua capacidade de escoltar um prato sem o anular. Existem vinhos de muitos euros que são estátuas de museu, admiráveis, mas distantes. E existem estes vinhos, como o Monástico, que são vinhos de operacionais, prontos para o trabalho duro de enfrentar um bacalhau assado, carnes vermelhas ou queijos macios. São vinhos que não pedem licença para serem abertos; pedem apenas companhia.

Procurar preços abordáveis não é uma derrota do palato, é uma vitória da inteligência. Um vinho de poucos euros, quando bem feito como este Dão, é um vinho de verdade, tem a mesma genealogia de uva e suor que os seus primos mais caros. Na mesa de Natal, onde as famílias são diversas, precisamos de vinhos generosos e democráticos, vinhos que permitam que se sirva mais um copo sem o peso da conta, mantendo a dignidade da casta e a honra da região.
Este Monástico 2023 apresenta-se límpido, granada e vibrante. No nariz, é um sussurro de violetas e frutos silvestres; na boca, é fecundo, franco e envolvente, com uma acidez que limpa o palato e convida à próxima garfada.
Neste Natal, celebremos a beleza dos vinhos acessíveis. Porque, no final, o que importa não é o que o vinho custou na prateleira, mas o valor das memórias que ele ajudou a regar. Saúde!






