Escolhi-o de entrada, para começar a noite! Este Ribeiro Santo Cheek to Cheek é um rosé que foge ao óbvio e traz com ele a elegância austera do Dão para o copo. Como o bebi entradeiro, topei que prepara o palato de forma exímia, sem ser demasiado doce ou pesado. Sedoso, suave e conservadeiro, que chegou para jantar de alegrias.
O Cheek to Cheek é um blend curioso e muito equilibrado de três castas nobres. A Touriga Nacional dá-lhe a estrutura, as notas florais e a cor rosada elegante. Tinta Roriz, conhecida pela sua versatilidade, esta casta aporta equilíbrio e notas de frutos silvestres vermelhos, ajudando a dar corpo e uma textura sedosa na boca. A Tinta Pinheira, ou Rufete, esta é a casta que faz a diferença no Cheek to Cheek. O Rufete é conhecido por dar vinhos com excelente acidez e frescura, mas com menos cor, o que é ideal para criar um rosé pálido e gastronómico. É ela que garante que o vinho não seja pesado e que tenha a vivacidade necessária. Ao juntar estas três, o Carlos Lucas consegue um vinho fresco, aromático, de bom preço -a 4,68 euros a botelha que não lhe retira nobreza e muito gastronómico.


Bebi-o fresco, como deve ser, um rosa-pálido, muito sofisticado. Não é um vinho perfumado em excesso; é mineral, com toques de frutos silvestres e uma leve nota floral. Na boca é um vinho seco, de acidez crocante que faz salivar e um final de boca persistente. Não é aquele rosé plastificado, é um vinho gastronómico, assinado por Carlos Lucas, um dos enólogos mais respeitados de Portugal, conhecido por ser um verdadeiro mestre na região do Dão. O projeto Ribeiro Santo nasceu na Quinta do Ribeiro Santo, em Carregal do Sal. A filosofia aqui é respeitar o terroir granítico da região, resultando em vinhos com uma frescura e longevidade notáveis.

A magia deste vinho está no equilíbrio. Possui a estrutura necessária para aguentar uns enchidos leves, queijos de pasta mole ou uns folhados, mas é suficientemente elegante para ser bebido sozinho enquanto a conversa flui. Assim foi e achegou-se à mesa para aprimorar um arroz de tamboril. A acidez vibrante deste rosé corta a gordura do arroz e limpa o palato a cada garfada, mantendo o sabor do peixe sempre fresco. Bem sei, um vinho branco muito leve poderia perder-se, mas este rosé, graças à Touriga Nacional, teve a estrutura e o corpo necessários para acompanhar a consistência do peixe sem o sobrepor. Este rosé servido fresco, 10°C, criou um contraste de temperatura muito agradável com o arroz de tamboril a fumegar.

Veio outro vinho a seguir, falarei dele em breve, mas este, este é um vinho de meio caminho, entre um branco fresco e um tinto elegante. E um bonito trocadilho, o Cheek to Cheek, remete para a cumplicidade e para o momento de partilha. E não é isso que se quer do vinho?






