Udaca Colheita Tinto 2023


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Udaca Colheita Tinto 2023

O Dão pela madrugada, o frescor da tempestade que fustigou a noite e, contudo, de novo a circunscrição. Ando zangado com o Dão, e com a sua comunicação prestável e, assarapantado abalei-me à Loja. Uns que fazem anos e olvidam os fundadores, aqueloutros que, afinal são confrades e apegam-se à circunscrição pelo que peguei nas duas notas de dez oiros que tenho na mochila de abalar a reportar e fiz-me ao mercado. Três garrafas de vinho, perdem os produtores ganha a distribuição, mas temos pena o consumidor é que deita olho pela samarraeira, uns queijos, e uns queixos caídos, é dificl fazer compras, traz a meia broa, dá cá 18 euros e 70 cêntimos. Pelo meio ainda provei uma chouriça grelhada, brending das Terras do Demo e cheguei à casa com que fazer merenda, ainda nem era pelo meio-dia. De caminho a simpatia, em doses generosas, a presteza de quem dá a provar e a agilidade de quem ajuda este velho a pagar nas máquinas. Mas em el contado.

Do vinho, bom, a assinatura é firme o lastro do notário robusto. Apreçou-se a 3,99 euros, mas rebato-lhe os impostos. E que dizer? Bom há fugacidades nos encontros, de quem mora na aldeia, mas atravessa a avenida das quatro faixas e está no supermercado. Dos grandes e ele há encontros que parecem escritos no próprio território, e a união entre a UDACA e as Terras do Demo é o exemplo perfeito de como a Beira Alta sabe acolher e confortar o palato. Juntar estes dois nomes é fazer uma viagem pelas paisagens intemporais de Viseu, Armamar, Moimenta da Beira e Vila Nova de Paiva, onde a dedicação à terra se transforma em sabor.

De um lado, temos o contributo coletivo da UDACA, uma união de adegas cooperativas que, desde a década de 1960, protege e engarrafa o trabalho de pequenos viticultores da Região Demarcada do Dão. Do outro, o saber-fazer da Terras do Demo que, com a chancela “Terras que sabem fazer desde 1979”, eleva a charcutaria portuguesa, recriando com rigor o fumo de lenha e a cura lenta dos Invernos rigorosos imortalizados por Aquilino Ribeiro.

Vim com as rodelas do enchido a cantar passaradas e a pensar no Dão Colheita 2023 da UDACA, vinho jovem, de cor rubi viva e aroma fresco, onde sobressaem os frutos vermelhos e as notas florais típicas da Touriga Nacional e do Alfrocheiro. Na boca, a sua acidez equilibrada e taninos macios fazem dele o parceiro ideal para cortar a riqueza e a intensidade do fumeiro.

À mesa, o diálogo entre os dois produtos é perfeito. E eu, de ganas aliviadas, que pago o meu vinho, antes independente que da circunscrição. E, todavia, o perfeito no aumento da duração dos dias dos passantes. E esqueço o queijo, fico só na carne. A chouriça de carne e o salpicão das Terras do Demo, com o seu tempero rústico de vinha-d’alhos e fumo equilibrado, e escolha de lenha, encontram na frescura deste Dão o contraponto ideal. A gordura delicada e o sabor intenso de uma morcela ou de uma alheira ganham uma nova leveza quando acompanhadas pela vivacidade deste tinto, que limpa o palato a cada golo e convida à próxima garfada.

Este não é um banquete de luxos artificiais, mas sim de uma pressa de Sábado. a abrir o apetite para uma refeição esforçada, haverá de chegar, a Beira Alta continua a ser uma das capitais indiscutíveis do conforto gastronómico português. E ter um supermercado à porta ajuda muito. Mais que o vosso mecenato. Ficai-vos.

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