Este é um vinho que eu tenho vindo a adiar a prova e a compra. Manias de velho, conheço o produtor e muito tem feito em prol do Dão. Também conheço o proprietário do bar, e também muito faz pelo Dão. Para sorte da prova, calhou ser o único vinho de serviço do Dão. É preciso mais variedade, rabujo eu, e é essa conversa que um dia o Dão terá que ter. Mundividência no serviço e na distribuição. Em nome de todos. Digo isto com o à-vontade de quem se sente livre para falar e respeita, e preza, muito estes dois empresários. Dito isto, a Anita já provou o rosé e eu já lhe tomei aroma, o final de tarde pedia-me um Tinto. Este obstinado ruvinhoso, e a delícia das palavras, bebeu-o.


Fruta vermelha, macieza aveludada, nutrido, o vinho e eu, 13,5º, bebi-o na temperatura certa, resultado do investimento que o Irish fez no serviço e ao primeiro golo, topei-o logo. Dão dos antigos, taninos ferrados e forra na barriga. Um vinho do Dão, rústico se me permitem a palavra, mas é assim que e gosto deles, a que me faltou o queijo. Lá se fatiou uma belíssima bola e uns amendoins e coragem, que veio bem servido. O copo.


A vindima de 2021 foi de boa qualidade e superior em volume, quando olhamos à campanha anterior. Vinhos muito aromáticos, frescos e elegantes, qualidade e quantidade. Este porfiou com Touriga Nacional e Jaen, que ditaram o vermelho carregado, os taninos vibrantes que nem noite louca ao som do DJ Miles…
O vinho descansou oito meses no inox, 70% e o remanescente foi dormir o sono dos justos em barricas de carvalho. E assim se fez o blend, a 14 euros a garrafa e a cinco euros o copo.

A Dona Sancha reúne 47 hectares de vinhas e tem um pé na distribuição.
De boa acidez, este Dona Sancha Vinha da Avarenta Tinto 2021tem um belissmo final, e é um belíssimo fim-de-tarde para aperitivar a ceia.






