
Foi numa corrida ao supermercado, do outro lado de lá da rua. De repente, jantar no fogão e vinho, nenhum. Avançamos pelas prateleiras. O Cabriz dá-me confiança.
Foi lá, também, que tudo recomeçou para o Dão. Com a Dão Sul, em 1989, ideais e crescimento. Sim, outros gigantes aí estão, mas estes estão cá mesmo.
Inspirado, refrescou-se e bebeu-se.
Bem sei, há quem vitupere noites de Inverno, frias lá fora, agasalhadas cá dentro. É aí que um vinho mais leve me sabe melhor. Há ainda os bebedores da boa vontade que que preferem os rosés no ano seguinte à vindima. Tenho para mim que todo o vinho deve esperar dois anos, quietinho dentro da garrafa, até me chegar ao copo.
Há muitos dogmas, muitos críticos, muitos conhecedores e bons explicadores. Mas o vinho, e toda a sua ancestralidade festiva, é como nos sabe.
E passados estes anos, égide da Dão Sul trouxe-me alegria e inquietações. São pessoas, boas, todas elas. E partilhámos, há quase uma década, queijo cortado com a navalha que tenho sempre aconchegada na mochila. Agora são Global Wines e eu continuo a gostar muito deles. Sabem o que fazem. Aqui e ali rezingo, como com a retirada do Nature e o valente André, do Paço, que desencantou uma já de ciclo fechado. Uma raridade. Privilégio do beber.
O Osvaldo, sob o olhar atento do Sr. Coimbra, deu-me o conhecer. E com ele uma caixa. Sempre o desejei. Saber fazer vinhos tem arte. Ficou a saudade.
Adiante, é conversa que me apouca ter.
Hoje a Quinta de Cabriz lá está, na adega, o vinho do Dão mais vendido no mundo.
O Rosado, fresco como convém à sentinela, portou-se bem. Nas entradas e na converseta. E uns fumos, hábito que este sol de inverno nos permite, abancados nas cadeiras exteriores.
Antes da jantarada, um rosé de Alfrocheiro e Touriga Nacional, 12,5 no grau que está muito bem, o desengace foi completo, a prensa delicada e assim se clarificou este “salmonídeo” de cor prazenteira.
Veio dos 38 hectares de vinha, tudo com produção integrada e estagiou em cubas de inox. Fresco no nariz, solto na gargantilha, charmoso. Suculento e fluente.
Seis euros de botelha, e um final curto. É para bebericar e está bem assim.
Se o quiser levar para a mesa, entre-o, ou sirva-o com petiscaria leve, uns bifes de frango com salsa chapeados, uma pescada, não é de avantajar comidas, antes franquear palatos.
Um salmonídeo, pouco extraído, aromas intensos, de boa camaradagem, corpo aligeirado e um adocicado que lhe dá tranquila beleza.
Na boca é frutado, ousado. E fica ali, metediço, bebericado, crépido.






