Dona Sancha Rosé 2022


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Dona Sancha Rosé 2022

Um vinho a dois. Touriga Nacional e Tinta Roriz resultam num rosé seco e sério, com uma boa frescura, calibrado, austero de aroma e feliz com o lote Touriga Nacional e Tinta Roriz, fruta vermelha e bom, e longo, final de boca.

A par do alentejano, é um dos donos do mercado, culpa de uma distribuição que nos impõe as suas escolhas. Em loja custa 12 euros, este, bebido a copo em final de tarde antes de amesendar, custou 4,5 euros por um rosado de Silgueiros.

O nome é uma homenagem tocante à figura histórica de Dona Sancha, uma mulher nobre que no século XII instituiu o padroado de Santa Maria de Silgueiros, impulsionou o desenvolvimento do território com terras e vinhas para cultivo. O projeto, criado por Rui Parente, honra esta grandiosidade ancestral com devoção e respeito pela herança. A qualidade é inquestionável, tendo a Quinta Dona Sancha sido eleita Produtor Revelação do Ano de 2022 pela revista portuguesa Grandes Escolhas, um título fulgurante que atesta a sua ascensão meteórica no panorama vinícola nacional ao apostar na recuperação de vinhas antigas e na criação de paisagens únicas, com uma filosofia de viticultura baseada no respeito pelo ambiente e na sustentabilidade. Os seus vinhos são um símbolo de memória, refletindo o carácter aristocrático e a elegância do terroir de Silgueiros. Inquietam-me outras ocupações, ao gostar de ver mais vinho a copo e menos vinho de serviço, mas preferem assim, há que aproveitar o que o balcão tem.

As vinhas estão situadas a uma altitude de cerca de 300 metros, com uma exposição a Sul, o que favorece uma maturação equilibrada sob o sol generoso do Dão. O solo é de origem granítica, conferindo aos vinhos uma boa acidez e uma elegância mineral. O clima é temperado mediterrânico com uma benéfica influência atlântica. A vindima de 2022 foi marcada por desafios climáticos, mas que a arte do viticultor soube superar, dela resultaram vinhos de grande concentração e carácter, num ano bastante atípico, caraterizado por ser muito seco e quente, com temperaturas médias elevadas e um longo período de seca extrema.  O calor intenso e a falta de chuva levaram a um stress hídrico nas vinhas e a um ciclo de maturação mais precoce. A colheita foi geralmente mais curta e rápida do que o habitual. As videiras, em mecanismo de defesa, produziram cachos e bagos de menor dimensão, o que se traduziu numa concentração de sabores e cores. Apesar das dificuldades, a fruta que entrou na adega demonstrou boa qualidade. Para os rosés, a vindima das tintas, Touriga Nacional e Tinta Roriz, no final de Setembro, trouxe algum equilíbrio, ajudou neste vinho de boa acidez, a tal de frescura, e fruta intensa, um testemunho resiliente da terra.

É um vinho bivarietal, elaborado a partir de duas das castas tintas mais nobres de Portugal, a Touriga Nacional empresta estrutura e sofisticadas notas florais. A Tinta Roriz acrescenta fruta e garante a persistência no paladar.

O processo de criação é um ato de sensibilidade e precisão, visa preservar a pureza e o carácter da fruta, A vindima é efetuada manualmente, com as uvas a serem colhidas no dia 22 de Setembro, data registada para este ano, e transportadas em pequenas caixas de 20kg. Este método criterioso evita a oxidação e garante que os cachos cheguem intactos à adega onde o vinho é sujeito a uma fermentação lenta e cuidada em cubas de inox. Este processo em ambiente inerte é essencial para preservar os delicados aromas primários. Estagiou durante 6 meses em cubas de inox e, posteriormente, mais 2 meses em garrafa antes de ser lançado no mercado, garantindo a sua estabilidade e harmonia.

No nariz é um bouquet aromático onde se destacam notas exuberantes de fruta vermelha, um toque cítrico vivaz. Na boca o paladar, revela-se fresco e revigorante, com uma textura untosa, cremosa e envolvente, que contrasta com um final de boca seco e persistente. É um vinho de elegância ímpar, com uma acidez cintilante que o torna irresistível, sobretudo se for, como foi o caso, tomado como aperitivo. Este Rosé é uma poesia líquida, um deleite sensorial que se manifesta em cor, aroma e sabor, embora vinho seja mais que nos põem no copo, uma tonalidade etéreo e sedutora, que promete frescura e leveza.

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