

Que nem monges, assim pela meia manhã, provámos o rapaz, ainda a escorrer dos copos e tilintámos. O dia trazia pressa, o vinho pedia vagares.
Um Vinha de Reis Branco Colheita 2021, que chegou mineral, fresco e acidez bem cunhada na estrutura do lote.
Um final de boca longo, doados os 9,90 euros à loja, fomos pela companhia. Uns bifes de novilho, picanha, carne toda de corte fino, temperada a alho e levemente grelhada. No forno umas batatas Noisette, bolinhas de origem francesa, crocantes e interior macio, com um puré sem trigo na massa. E assim, com pouco menos de 30 mil réis, lá botámos jantar, apressado, saboroso e merecido.
Podemos marcar o conúbio, disse para com o meu copo, calibrado entre álcool e acidez. Dizem que são vinhos elegantes, por lá o serão, eu apelido-os de sofisticados. Reclamam entaramelar da língua para que se veja, e assimile, todo este branco, do Dão, que há muito sabe fazer vinhos.
A Quinta de Reis soma 15 hectares, com 440 metros acima do mar, indica-me a topografia. Não sei se já será de altitude, talvez não, mas está lá tudo o que deve ter.
Encruzado, Malvasia Fina e Bical, no tempero, este Branco atirou-se aos 12,5º e a comida agradeceu.
Fermentação a baixa temperatura, dividida em barrica e bâtonnage de três meses. Estou como as batatas, francês. Bâtonnage é termo francês para mexer ou agitar as borras, em depósito no fundo da vasilha.
Nos últimos anos, as alterações climáticas estão a ter um impacto no ciclo das parreiras e as variedades de ciclo curto estão a ser vindimadas cada vez mais cedo.
A vindima de 2021 foi desafiante, mas deu-nos vinhos frescos e um aumento da produção.
Loteado com Encruzado, Malvasia Fina e Bical, não desfez a merenda, pediu um queijo laminado e ali fiquei, na pacatez do Inverno.
Um vinho longo, a pedir estudo de língua e atrevimento de mesa. Ou de solidão, que também é vinho de contemplar.






