Kelman Reserva Lagar Tinto 2016


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Kelman Reserva Lagar Tinto 2016

Conheci-o pela mão da Inês, generosa, que me o deu ao conhecimento. Lancei-lhe tributo e hoje, nalgumas lojas solta-se um esgotado, mas ainda se encontra o Kelman Reserva Lagar 2016, criado pela Juliana Kelman, numa travessia que teve, e ainda bem, outros exemplos.

Adito-lhe ao rol o pecado da soberba. Que se guarde, enquanto os flancos não cederem, uma botelha para mais tarde. Mancomunado com os seus quase 8 anos, falta-lhe uma vindima para a novena. Chegou, clerical, vermelho carregado, um quase escuro que sobreveio, também, do envelhecimento no carvalho.

Tem estrutura, acidez, bons taninos que lhe garantem palato à deriva na busca destes sabores cheios, complexos. Foram 15,90 euros, num lote consueto, de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro. Este blend, não gosto de anglicismos, mas esta palavra canta-me outra música que o grave do lote, cresceu bem em garrafa, sem perder vigor, maturidade e algum mineral. Terra e uva, a bom dizer.

Fermentado em lagares de pedra abertos, evoluiu com sabedoria, completo nos seus afazeres. Talvez a riqueza esteja nas contas, Touriga Nacional com 60%, Tinta Roriz no quartil e o perfume de 15% do Alfrocheiro para este bouquet que nos entre narinas acima. Apurou doze mensários no pipo, a Touriga, os outros foram ao inox. Ganhou-lhes a Nacional, que lhe manteve bons alicerces, e o Roriz mais o Alfrocheiro para a frescura.

Juliana Kelman, é descendente de uma família, como muitas outras, que nos idos de 1940 foi ao Brasil demandar fortuna e na terceira geração dessa partida, regressa ao Dão. Cosmopolitas, preconizam intervenção mínima na vinha, produção integrada, agricultura sustentável e a compreensão dessa gigante palavra, o ecossistema. 

Ali há seis hectares de vinha com 25 anos, outros dois quase seculares. Tal como as cepas, os vinhos são longevos e começaram a entrar nas garrafas em 2013. Autênticos, não precisam dizer ao que veem. Mas eu gostava de saber mais, ainda enviei oficío mas não lobriguei retorno, apenas topei que as vinhas são em Nelas, na sub-região de Senhorim. E mais não me disse a geografia.

Temos de melhorar o interface, intercâmbio, comunicação. Não é despiciendo. E sim, bem sei que o vinho fala por si, 14º bem nutridos, deixem-no abrir, coisa para uma hora, mas no esperar vem a consistência e esperem e respirem, que lhe mereceu distinções além-fronteiras. E traz poesia com ele.

Um brilhante Kelman Reserva Lagar Tinto 2016!

PS: Se ainda houver mais vidro de tão bom reparo, telegrafem.

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