

É lá no alto e já lá estive. Vai para muitos anos, mas a casa existe, a casa das “histórias escritas com vinho”. As “Terras da Passarella”, são sangue que é vinho.
À época a visita foi guiada pelo Paulo Nunes, que quase uma década depois é feitor de vinho. Viajado e sabido.
Como os que fundaram a Casa da Passarella, a altitude na Região Demarcada do Dão.
Desse mapa calhou-me o Abanico Reserva Branco 2022, que dançou com um arroz de pato e ainda acrescentou na rabanada.
Um vinho de lote, blend como a mistura das minhas folhas de tabaco europeias no saudoso Português Suave amarelo, com muitos e bons acertamentos.
Não tem Encruzado e não lhe faz falta. Tem coisa velha, como a Terrantez, que lá ao alto preservam a ampleografia.
Adelante! Parcelas muitas ajustaram esse Terrentez, vertido o Barcelo, outra antiguidade. Preciosidade do Dão, com escritaria desde 1790 e mui acrescentada. Uva manhosa, tem anos em se lhe aflora a veneta e saem verdes e maduras na mesma cepa. Coisas de uvas e saber fazer a que ainda aditaram o Bical e a Cerceal, que brilham sozinhas em qualquer cuba.
Barcelo, Bical, Cerceal e Terrentez bailar e lotear e sai botelha. Um bom branco, de ano difícil. A vindima em 2022 foi para enólogos que sabem da poda, quente, calor logo na Primavera. O Paulo Nunes é cardeal na viticultura e cerimonial no resgate de boas e antigas castas. Lá ao alto, na Passarella, que encepa desde 1892, há muito estudo a provir. E saber.
Achei-o um pouco cru, clamando mais sossego, mas também é preciso destrinçar o efeito dos vinhos de altitude, uma outra adivinhação desses tempos em que o Dão foi demarcado. Sim, ali também nasceu a Região.
História escrita a vinho, cepas noutras latitudes são ampliação mágica deste bafejado território. É na montanha que a videira mais suportará a aridez e menos ensombramento. As alterações climáticas estão aí, e a Passarella tem terra capaz de garantir a sustentabilidade da viticultura. Altitude, e sim, os vinhos são diferentes.
Leve, nem lhe topei os 13º, apenas a ligeireza frutada. Custou-me 18 euros na restauração, 10,75 na garrafeira. Encho, de novo, o copo. 2022 foi agreste para a vindima, mas gostei dele. Saltarico, lépido e acelerado, verteu-se bem. Pela garrafa e pela gargantilha. Supimpa.






