São Francisco, Encruzado em Chão com Quinta


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São Francisco, Encruzado em Chão com Quinta

Possante. E voluptuoso. É o que se me ocorre quando penso no Chão da Quinta Encruzado Reserva Branco Dão DOC 2019.
Escolha da minha mulher para refeição domingueira, fica ali a meter-se
connosco naquela untuosidade típica de um vinho que chora lágrimas quando
escorre no copo. E no palato. Também é poderoso, manda-se aos 13º e,
contudo, bebe-se na companhia de alguns cigarros.
O meu marchou com um bacalhau, sim se o queremos apreciar na plenitude não podemos ser parcos na mesa, e ainda hoje me lembro dele.
Custou, na restauração, 22 euros, encontra-se nas garrafeiras por 20, se
ainda o houver, pois que duvido. E tenho para mim, que este será um dos
grandes Encruzados do Dão.
Meu primo Berto, com quem me encruzei há alguns meses, diz-me que há outro ainda melhor. Não duvido, gostos não se discutem, mas vou iniciar uma
demanda furiosa por todas as garrafas que conseguir encontrar.
Lembremo-nos que a vindima de 2019 chegou depois de um quarteto de anos secos, houve chuva, temperaturas mais baixas e maturações lentas.
O Setembro foi seco, uvas à espera da tesoura, acidez e açucares moderados.
Em traços simples esta foi a vindima daquele ano.
O Encruzado, que deve nome aos gavinhos e que também responde por
Salgueirinho, é generosa com os viticultores, dá vinhos estruturados e
complexos, robustos, que nos ficam a tamborilar saudade.
O Chão da Quinta, ou a Quinta de São Francisco reúne vinhas e capela.
Lembrança de Nossa Senhora dos Escravos, fundada em 1660, e que mostra a fé que temos nos nossos vinhedos. E nesta quinta, de boa exposição solar, e com história velha por contar.
Deste Encruzado, varietal, solitário, monocasta, o que lhe quiserem dizer,
notei-lhe ainda a frescura e os minerais. Sim, esses são aromas que se me
presentearam.
Quer copos largos, para arejar, ou garrafeira escura para guardar.
Voltemos ao copo, fundido com bacalhau e azeite, broa e vinho, batatas e
afinfa-lhe.
Podemos discutir se um bacalhau não merece um tinto. Merece, mas este
fornido e parrudo Encruzado 2019 é exército de um homem só e capaz de
ombrear com palamenta funda.
E fica lá na boca, calibrado, voluptuoso, encorpado.
Não encontro esses aromas que tantos provadores proclamam – fui ensinado por uma perfumista, mas sinto-lhe as uvas, o granito e, mesmo passados quase meia dúzia de anos, a frescura.
Uma batonage suave, pouca madeira e um valente, elegante e feliz devaneio.

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