

Finquei pés no rincão e nesse 2019. Ano bom. Longevo, no ponto. E
confesso-vos que precisei de livros e labor para o descortinar. O Elpenor,
foi companheiro de Ulisses nessa mitologia que aponta remo.
E remando pelas prateleiras da garrafeira, topei-o, olhei ao produtor,
fiz-me à vaga.
Blanc de Noir, afazer que nos chegou além Buçaco e se atirou aos vinhos
tranquilos há uns bons três anos, de Jaen.
Em peregrinação, ou berço, foi no Mosteiro do Santo Sepulcro, também dito de
Águas Santas, que despontou. A cavalaria castelhana, dize-lhe Mencía.
Em Portugal, a casta Jean é coisa de Dão eu estou em crer que é obra de
monges, está aí o Prontuário, e sigo-me ao Mosteiro.
Bom corpo, solto, doce, atrevido apesar da idade. Uma pancadinha no frio, o
Elpenor Blanc de Noir Jaen aguçou-me o desvelo. Curioso, branco no tinto,
domingueiro. E romeiro.
Com história. Um amarelo, maduro, requinte e longo final de boca. Fresco,
areja.
E vinho, untuoso, estruturado, corpulento e, no entanto, leveza.
Viajada e cosmopolita, Julia Kemper sabe que vinho é negócio. As vinhas têm
poranduba, desde 1885 e conta-se no Dão que recusou o legado por diversas
vezes. Em 2008 chegou-se aos vinhedos.
Pensava assim a bebericar meia manhã, a roer o Flor da Beira, com uma cura
de 90 dias. E de copo largo na mão.
Salaz, elegante, o Jaen feito branco chegou das cepas da Quinta do Cruzeiro,
onde se fez na companhia dos pinhais e dos olivais. Uma descolagem no
rótulo, é pelo amor que apontamos o ligeiro descuido. É Domingo e fui feliz.
Indisponível nas lojas, dizem, custou-me 7,89 e foi bebido em domingo de
forno ligado antes das nove e 4 horas de lombo do Demo a assar, com chips
rústicas e um arroz simples como só a Anita sabe fazer.
Estávamos precisados, dia depois do ontem, dos valentes e rijos, a família
reclama bonança. Tempestade e festa, só dona Constança.
Bebeu-se fresco, a casa está quente e a temperatura é serviço não um
devaneio,
Estruturado, delicado, mistério na intriga. A da origem da casta. O vinho é
lambareiro, tem gula, um longo e persistente final de boca.
Surpreendido, com o diferente deste vinho, encomendei-lhe meças. Fiquei ao
sol da tarde, olhando a Estrela, tragando, sentado e a pensar no
extraordinário que são estes vinhedos.
Este Elpenor Blanc de Noir Jaen deixa memória, sabor. Saudade.
Fabuloso.






