

Conheço-a do caminho, mas nunca lá estive. De vinhedos generosos e boa pedra, com vinha nova plantada recentemente, a Quinta das Camélias, em Sabugosa, há muito que produz vinho, embora me falte a memória para saber se este foi o primeiro que bebi desta origem.
Monocasta, varietal ou estreme, mostra-se vermelho, profuso e brilhante.
Reclama comida, muita. Manda-se aos 14º, chega ao queijo e ainda pede chocolate.
Há ali fruta, e estrutura. A 5,99 euros e, vim a constatar mais tarde, caro, quando comparado com a garrafeira que frequento.
Macio, de final longo, a casta não é recomendada para DOC, tem Indicação Geográfica Terras do Dão.
Vinhos da Beira Alta, não fora a burocracia, este protegido pelos picos do Caramulo, em solos grniticos, com água na terra. A Syrah, que haverá de ter boa capacidade de envelhecimento, é amigo do viticultor. Calores de Verão ou rigores de Inverno, ela adapta-se ao solo, mesmo que pobre, corpo avantajado e robusto, poderoso e alcoólico.
Serviu à comida, pescada cozida, boa batata, grão e dois ovos que não se brinca com este vinho, manso só de aparência.
Vinificação clássica, maceração pelicular e barrica a meio ano.
Bons e rijos taninos, bota corpo.
Exigiu, eu cedi, acrescentei-lhe um Serra da Estrela, mais um copo e um chocolate. E ele, lá ficou.
Insólito, ali a meter-se com o meu palato, uma suave aspereza no final, que eu tanto aprecio, e um recordatório.
Bebeste-me.
Temporão, macio, extravagante. Vermelho de frutas também, persiste no palato e reclama, pede, exige, um segundo copo. Assim haja acrescentos para a boca.
Lá fica, macio, amplo e vincado.






