No Rodízio, com um Casa da Ínsua Rosé, 2023


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No Rodízio, com um Casa da Ínsua Rosé, 2023

Bebi-o de rodízio. Entretive a boca depois da Caipirinha e avancei ao rosado para a grelha. Dos acrescentos não me preocupo, ocupam espaço embora o Rodízio do Gelo esteja caro para racionarem banana e cebola fritas! Mas tenho de me penitenciar em Mões. Fui à vizinhança e vim, meio, feliz.

Feijão, couve mineira, chips, banana e cebola frita em porções. Caipirinhas demoradas, solavancos na receção.

Das carnes, merecemos outra salsicha, não vi corações, a dança é lenta. O quadril traseiro do boi, esse não se engana, a picanha trouxe bom corte, com gordura, sabor, suculência e fogo bom. Bota alho e traz mais, por favor. Já merece atravessar avenida.

Bem sei, abrir rodízio reclama casa composta, mas o baile foi lenta, uma rodinha, de peru e bacon – queremos as cochinhas de frango, cupim, picanha, entrecosto e, se o mordomo já for no vira, esquece. Ainda veio pá – um delicioso bacon, bem fatiado e alcatra. O bom é o fagode de ocupar e roer prato, voltar a remoer.

Em bom rigor, não costumo ir ao do Gelo, mas como é só atravessar duas passadeiras, abalançamo-nos. Serviço pasmado, carne assim assim e, convenhamos, por 27 mil réis e meio, pouca mercadoria para tanta fazenda. 

Valha a simpatia. Depois da caipirinha, queremos mais álcool no refresco e no vinho que isto não são ordenanças, antes comezainas. O vinho, entretido previamente, fresco, seco, direto, calibrado. Virtuoso, apesar de jovem. Garboso e postura.

De modos que me fico pelo rosado, da última colheita, 2023. Ou o mercado tem muita sede ou teremos de o deixar dormir mais um pouco. E digo isto porque, também eu velho me atazano, estou a voltar aos brancos e rosés, mas gosto deles com duas vindimas de compasso.

Este andou bem. A comida assim o impunha, que amaciou a chegada dos taninos e, doutos provadores atribuíram a este Casa da Ínsua Rosé Colheita 2023 a medalha de prata, no Dão Primores que também trouxe comenda do International Wine & Spirits Awards, em Vitoria-Gasteiz, no País Basco. E, balanceada a comida, bem que me atirava a outra botelha.

Touriga Nacional e Alfrocheiro, um feliz namoro, com 13º, haja comida que o vinho feito em bica aberta e suave prensagem, é para comer. De mesa, portanto.

Deixa memória sim, apesar de eu gostar deles mais dormidos, mas estão lá os aromas, o floral e um final longo feito intermezzo, para me aviar a outro copo.

A história da Casa, hoje um parador, é antiga e com assento em 1852. Talvez o vinho da casa, ou do lavrador, mas de há muito que ali se pisam uvas. A vinha foi modernizada, o Matias é engenheiro sagaz, a adega moderna, mantiveram-se lagares, carris e plataformas de transporte dos pesados barris. E andaram bem.

A lavoura não ficou esquecida, há queijo Serra da Estrela, cardo, azeite, compotas, maçãs Bravo Esmolfe e outra maçonaria frutícola.

Já este fogo do Rodízio do Palácio do Gelo merece parador. Meter mão, rodar mais o espeto, fatiar a faca rápido e girar com mais afinco. Para não darmos o tempo como perdido, ou ganhar na estrada o outro, o Forno da Mimi, que tem fôlego. Mas não tem as vistas. Foi o que foi.

Já do vinho, bom, bebia-lhe bem outra botelha, assim a comida seduzisse este vermelho de garra e carapaça. Pujante. E amigo da grelha.

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