Porta dos Cavaleiros é marca Dão sobejamente conhecida. O que a minha ignorância nunca tinha bebido fora o branco. Magnifico este, cinco anos depois de embotelhado pelas Caves São João, que sendo na Bairrada têm mantido pé no Dão como podem ler lá em baixo, no Prontuário.
A minha Anita, que me compra o vinho, encontrou esta prosaica botelha na garrafeira, envasilhado pelas Caves São João, fundadas em 1920 pelos irmãos José, Manuel e Albano Costa. Desconheço se têm quinta ou videiras no Dão, se apenas negoceiam as uvas, já que nos primórdios da empresa esteva a comercialização de vinhos. Todavia, o que os livros rezam é que em 1963 a empresa iniciou a compra de lotes de uvas na Região Demarcada do Dão.
Aos beberes. É um vinho do Dão, é branco e da colheita de 2020, ano que, abençoado, nos deu pouco e bom. Abrolhou cedo, mal chegaram os frios do Outono, passou por
temperaturas altas e fez uma corrida na maturação. A uva tornou-se inesperada naquela vindima, com quase nenhuma chuva, mas chegou sã às adegas. Logo ali prometeram que iríamos ter frescura e acidez bem estruturadas. Seríamos felizes e fomos.
Fácil de beber e bom de comer, o Porta dos Cavaleiros Dão 2020 é produzido com as quatro senhoras dos brancos: Bical, Cerceal, Encruzado e Malvasia Fina – esta a que damos pouco valor e que vai além do tempero, sobretudo solitária. Adiante, custou 5,95 euros e veio, fresco, elegante, persistente.
De cor amarela, pálida, um bom branco de lote, com a singela fermentação em cuba de aço inoxidável com controlo de temperatura.
Um final de boca de lamber beiças, ajudado pela Vitela de Lafões, assada no forno cá de casa e fatiada fininha que é como deve ser, acolitada por um poderoso feijão vermelho, também ele encarniçado e modestamente enchouriçado.
As Caves São João, que nasceram na Anadia em 1920, produziram vinhos finos, no Douro, espumante e em 1959 começaram a comercializar tranquilos. E desde sempre que a Baga resistiu no Dão. Não me causa transtorno este viajar de uvas, mostos e vinhos. Está aí a Comissão Vitivinícola que nos apalavra boca e palato.
Conheço a enóloga, há muito que este é um rótulo convencionado, de qualidade, diz ao que vem e é honesto. Um ícone do Dão e ainda bem. Macio, com esse amarelo e fugir ao dourado, mineral, possante e capaz de enfrentar os frios deste Janeiro. Um vinho de Inverno, que não cansa, antes espanta! Longevo e senhor de si.






