

Vi nascer a primeira adega, ali por trás dos Correios, em Nelas. E vi cavar e inaugurar a nova, na Teixuga, a parcela mais valiosa deste produtor, que depois de lançado pelo empresário Paulo Santos, integra hoje o grupo da Pacheca.
Deite no copo, por favor. O Titular Tinto Colheita 2020 é fresco, nada amadeirado, vivo, calibrado e taninos de ferrar dentes.
Produzido pela Caminhos Cruzados, que tem 42 hectares de vinhos, a maior parte na Quinta da Teixuga, onde também está adega capaz de vinificar 500 toneladas de uva por campanha.
Comecei-lhe com um queijo, Manchego que vem de La Mancha e tem cura de oito meses e ao primeiro golo, topei-o. Vivaz, demorado no palato, taninoso.
Vinho jovem, apesar dos cinco anos que já leva na botelha, mostra-se cor pujante, com todo o paladar das uvas, num registo que se resgatou.
Produzido com 30% de Alfrocheiro, 35% Touriga Nacional e 35% Tinta Roriz, prometeu um vinho de lote, um blend como soi moderno dizer-se, de cor rubi e prazenteiro na mesa. E fora dela.
Marchou, alinhado e perfilado, com uma Vitela de Lafões, estufada, a dançar com chips, feijão e um carolino.
Impetuoso e metediço no nariz, traz-nos uma harmonia que eu apelido de “paz de alma”.
Os cachos foram escolhidos de forma manual, desengace e esmagamento, fermentação em cubas de inox e temperatura controlada.
Tem dedo do Manuel Vieira, consultor enologia e foi vindimado num ano de
Extremos. Trouxe retribuição. Apesar das temperaturas altas, do abrolhamento precoce, constante avanço na fenologia e uma aceleração inesperada das maturações. Sim 2020 foi ano difícil, mas bom, porque as uvas chegaram sãs à adega. Ano de menor quantidade e qualidade elevada, com vinhos bons a muito bons.
Estruturado, que é como quem diz robusto, é um vinho distinto que me custou 6,92 euros em garrafeira.
Não se antecipa o que lá vem, deixem-no abrir, pronunciado, custa a lagar o copo. Antes da mesa, na mesa e na converseta. E também na secretária, a escrever e a apreciar o que é um bom vinho.
Um vinho justo!






