

Bom dia, temos de fazer um esforço para ver se conseguimos meter estes antes da uma da tarde.
Ontem a Fátima Pinto teve um percalço com o gravador, já me aconteceu quanto estava na TSF e foram três gravações até termos o que queria. Está em destaque, a partir das 13h15 no Portugal em direto, na antena 1.
Menciono os vossos nomes. Enquanto não pingar cheta para pagar o trabalho e isso é imperioso, levo-vos ao colo a todo o lado. Mas estou feliz.
E agora escrever a crónica. Porra cinco textos numa madrugada, venha o sol.
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Está no ponto. Mineral, obra da natureza. Fresco, de bons modos e melhores vibrações. Creio que o bebi, pela primeira vez, em 2007, acho, e fiquei devoto dos rosés do Perdigão.
Pouca extração, mostra-se austero, com boa acidez e um rosé para levar a sério. E quando pensamos que está ali um entradeiro, ele enfia-se, sorrateiro, na mesa e não o largamos. E envelhece. Tranquilamente.
A Quinta do Perdigão são oito hectares de vinha biológica, a 365m de altitude, debruçados ao Rio Dão. A Wine Opus classifica-a entre as 4.000 melhores adegas do mundo, e a Quinta do Perdigão corresponde. É a mais premiada da Região Demarcada do Vinho do Dão, desde 1999. Pequenas quantidades de vinho, qualidade, apenas.
Vindimado à mão, sim, já anda muita maquinaria no Dão, foi desengaçado e levemente prensado. Fermentado, dormiu uma sesta de 30 dias em barricas, usadas, de carvalho francês, antes de ser envasilhado.
Este meu Rosé, pouco extraído, loteou Alfrocheiro, a 10% e Touriga Nacional a 20%. Tinta Roriz e Jaen, em partes iguais, completam o lote. Luminoso. Com arrojo, há ali uma parcela de Touriga Nacional plantada em pé franco, sem porta-enxertos.
Já o escrevi antes, 2021 foi ano complicado na vindima, mas trouxe quantidade e qualidade.
Delicado, não perde compostura nem se desvia do caminho. A garrafa, em loja, custou 8,50 euros e, arrisco eu, ainda esperava mais um ano.
Insinua-se a madeira, mas não se intromete entre as uvas e o meu palato. Cor rosa-escuro, com 12,5º a reclamarem um pouco de frio, marchou com um polvo assado, batatas esmurrada e bom azeite. Ali esteve, untuoso, tecido, virtuoso. Haja coragem e também pode ser vinho para patrulha de homem só.
Tem enologia de Mafalda Perdigão, dedo de José Perdigão e esmero de Vanessa Chrystie, artista plástica que desenha os rótulos. Eis uma família de vinhateiros.
Excelente, amigo da cozinha e da conversa, tem espírito e alma para dançar sozinho.
Um portento. Vibrante vinho!






