Adro da Sé Encruzado 2022


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Adro da Sé Encruzado 2022

Incisivo e metediço. Delicado, embalado na madeira, acidez firme. Mas madeira, digo eu que tenho como amigo o enólogo que o criou, reclamava mais exiguidade.

O Adro da Sé Encruzado 2022 é produzido pela União das Adegas Cooperativas do Dão. Vinhos de outras cooperativas, músculo na geografia, e um sustentável viver. Lá iremos.

A garrafa quis 5,22 euros, em loja, pela molhadura. E a mesa mereceu-os. Torresmos do redanho e pastéis de bacalhau. Língua de vaca estufada, borrego nos mesmos vapores, batata assada e umas verduras. Importou-se carolino e abocanhei.

O vinho, incisivo, aguentou a boda e mastigou-se. Delicado. Cristalino. Gordo. Comprobatório.

No dia a seguir, às vezes, a mesa grande toma-me procedente de meia garrafa. Voltei-me a ele. Ervas ao patê e atenta. De estudo. Solilóquio. Bebedor solitário e fumador arejado.

Anda comigo senhor dos gavinhos, voltemos ao Adro da Sé e retomemos. Engelhado naco ao pão, rangida a mica que isto é bocado que se não desperdiça. Homessa. Trago-te ao sol.  Bebi-o largo, fresco, ali nos 10ºC. e contemplei-me.

Mais aberto. Envolvido. Retomemos a UDACA. Em 1966 abraçaram-se as adegas cooperativas. Hoje, em instalações competentes, e prometentes a festins e afazeres. É o maior produtor de vinho do Dão, associado claro, e grande engarrafador. O comércio também tem assento na Comissão. E estes exportam muito.

O desafio para a enologia é enorme. Entrementes a vindima madrugou. No Setembro da Feira do Vinho de 2022 caíram chuvas, que as uvas, pasmadas de Verão seco, engoliram. O tempo, esse imprevisto do lavrador, calibrou.

Volto às aduelas. E vou guardar. Dissipado no tempo. Persistente, mineralidade pouco espantada. Pertinaz e aferrado, este Encruzado reclama paciência. Persistência.

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