

Já vos falei destes vinhos, numa das extremas do Dão, em Tábua. Produzido na aldeia de São João da Boavista, este Ladeira da Santa Branco 2022 custou-me 5,90 euros e só se encontra em garrafeiras e caves. Exceção, tomo que ainda hoje seja assim, ao retalho alimentar, incluindo o de insígnias nacionais, em Tábua.
Amarelo, cor alimonada, frutado e voluptuoso. Puxa ao conduto. Gordo, untuoso como soi dizer-se, deixa lágrima no copo. Enxuto, ainda a querer mostrar corpo, medrou bem na mesa, refrescado que para calor já basta o que basta. Dentro de casa, claro.
Trouxe-o de entrada, para acompanhar queijos, um paio em azeite, torresmos e uns rissóis de carne. Pão de azeite não se deu mal, merendeiro, macio e leve nos seus, discretos, 12,5º.
Aquele 2022, como sabemos, trouxe desafios, enormes preocupações, à enologia. Inverno quente, que chegou ao estio em seco, reduzida precipitação, tudo empatou a maturação da uva.
Acidez na norma, persistente e destemido, beneficiário das encostas, há ali mineralidade e até uma pureza. De harmonia, e companhia, fica a namorar o palato, ali a virar um flamenco, insistindo no tinir do copo.
No vidro, Gouveio, outro persistente, Bical, Malvasia Fina, Arinto e Encruzado. Um extraordinário blend, a preço simpático, que ao nariz diz logo ao que vem.
Um branco fiel ao Dão.






