Cabeça do Mocho Tinto 2021


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Cabeça do Mocho Tinto 2021

Um tinto que chega das Camélias, tirei-lhe rumo e agora que se beba, encorrilhado e taninos bem vivos. E esta é bussola perfeita, podendo ir pela ecopista, de carro e distriar o olhar nos vinhedos, nos rios, na montanha. Estivesse a estrada, e as pontes, limpas, os rios cuidados e quintas abertas e esta era rota de perfeição, escalados aqui e ali, meios socalcos.

Não havendo vinhateiros de portas abertas e copos ao serviço, há sempre um boteco, de portas abertas, vinho do produtor, ou do bag europeu, aqui e ali garrafas à escolha, sem lista, mas a pedir olhar rasgado. Uma pena esta nossa quietude, de não deixarmos usufruir o que de melhor temos.

Siga em frente, aos bebes. Traz marca do produtor, avinha-se à entrada e não se lhe nota desvario, antes uma candura, um pouco áspera como eu aprecio, montado nos seus majestosos 13,5, a puxar vitualhas à barriguinha. Um queijo, de pasta dura ou essa aventura do Azeitão que, aprendi esta semana, o Paulo Albernaz me historiou.

Aviou-se uns tentáculos de pota, com brócolos e bom azeite, umas batatas de forno e acrescentaram-se umas coxas de frango, envolvidas em bacon. Conduto untado que o vinho bem o pede, veio do supermercado por 4,85 euros, sim declarados à fazenda, e loteia com Alfrocheiro, Jaen, Touriga Nacional, marca conhecida, desde 2006, vinificada na Quinta das Camélias, vermelho carregado, aroma fresco, delicado, solto. Bom musculo na estrutura, fino e longa.

Afincado e empenhado, é bom para os finais de semana, nas sextas, a meio da tarde quando lhe soltamos a rolha e ficamos em cavaqueira. Eu, o vinho e a Estrela. Equilibrados na conversa. A observar o fio aos dias.

Estrela que este vê, mesmo no cone onde a cordilheira namora o Caramulo, persistência do beber, o tal de final longo, que permanece no palato a encorajar outro travo. Simpático e cordato, quer-se nos 16ºC e há ali uma nota de carvalho, muito sublime, quase sub-reptícias as notas amadeiradas.

Macio, marcado e boa harmonia no conjunto das três castas, mostrando que a Touriga Nacional também pode ser de companhia e o Jaen bem podia vir com as castanhas do Outono, dois ou três meses após a colheita. Pela garrafa já lhe passaram três e está perfeito. Já o Alfrocheiro é perfume e tempero.

Um tinto da safra de 2021, muito e bom, que está a envelhecer com brio e galhardia.

Vinificação clássica com maceração pelicular, técnica que por norma associamos aos brancos, quando pilam com o mosto. Nos tintos a maceração pelicular permite extrair tudo o que as uvas têm para oferecer.

Um utilitário na garrafeira, vindo desse Rio Dinha, e Criz, destratados. Fresco e multifunções ao serviço da palamenta. Tragam acepipes e botelhas.

Um resistente que nos deixa sossegados, no final longo. Paz, harmonia e paisagem.

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