

A velhice é um ensinamento, um melhoramento se teimarmos em largar os eufemismos. Assim é, com as pessoas e com o vinho.
Produzido pela Global Wines, abriu-se ao Domingo na varanda, como é costume quando se começa a picar para o almoço. Aroma a frutos, uma subtil madeira, bom volume, taninos robustos e boa acidez. Convenhamos, a idade faz maravilhas.
Na mesa, um bacalhau com natas, um chili autêntico com milho e jalapeños, batatas-doces fritas polvilhadas de cominhos e coentros, mai-lo feijão vermelho. Boa companhia, para um almoço tardio, acompanhado de vinho de profundo tom vermelho, complexo e muita maturidade.
O Cardo, que para nós é uma bênção, deu-se bem. Um Cardo Real vindo de uma vindima de menor produção, com instabilidade meteorológica, tratamentos intensivos e cuidados redobrados. Geadas tardias, chuva e frio no inverno e calor no verão. Valeu a chuva de agosto para adiantar a maturação das uvas.
Menos quantidade, em ano em que a qualidade nunca esteve em causa!
O Cardo Real Tinto 2020 é produzido pela Global Wines, a maior empresa do Dão, que se espalha a outras geografias.
De cor rubi, ao sol com laivos violeta, aroma a fruta, denso, taninos vivos e, todavia, aveludados. Por 7,50 euros escolha digna de nota. Pagando o envelhecimento e as uvas.
E 13,5º na alcoolemia, bom volume de boca, final longo e prolongado.
Um bom vinho do qual pouco sabemos, veio do supermercado e rótulo ou site do produtor sem informação. Uma coisa que não se entende.
Seja. Vinho delicado para sol de inverno.






