Prado Tinto 2022


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Prado Tinto 2022

Infiltrei-me numa agência de programação e, num dos interlúdios do briefing, já tinham incendiado as hostes com uma Aldeia Velha. À meia-hora, como dizia meu pai e meu avô se sentava religiosamente na mesa grande do Pevidém, verteram-na no cálice. Um instigador de destilaria, com falange no Bushmils. Dois provocadores a bem saber. Ou de bom sabor. O Tiago prometeu contar e eu, que por recomendação viária estou limitado ao vinho, afifei-lhe o saca-rolhas e deixei-o espreguiçar-se.

Uma azáfama e já tinha a moer queijo fresco, com sal e pimenta, curado de ovelha e torradas de pão saloio. Atum e tomate cherry, linguiça para me afoitar aos 13º e um paté de ervas para adocicar tosta. Fui-me ao copo. 

Singelo, escabreado, ficou ali a bailar-me com aquele porte robusto, digno e capaz de trazer ternura a tarde segunda. Touriga Nacional Alfrocheiro e Tinta Roriz no lote, dois anos e meio de estágios, pressagio-lhe muitos mais e tornei-me feliz com as coisas simples. Complexas de aromas, mas simples, aveludado, guloso e impertinente, não pede meças. Simples, reforço que chegou a dona da casa e terminaram os meus devaneios solitários.

Esquinado, não pedi meças à nessa, mas agradeci à Anita. Bifinhos de frango de caril, com agulha simples. Iscas, de porco, com fritas e, haja vinho na garrafeira, ainda tombei o grão com entrecosto, cenoura e enchidos. Não é fartura, nem maus governo, isto dos 13º leva a subir a fasquia e tornaram outros, os do Tejo para a Anita, velhos para mim que de preciosidades anda a botelharia cheia.

E vieram os Reis, as Cancelas e, haja fígado no prato e no corpo, a Falorca. Deles falaremos. Já eu pensei nisto. Uma segunda feita sexta e arrematei a disputa com um mel de Santana do Campo e mais queijo desse fresco e ali me pus. Deliciado. A querer mais, já noite posta. E que queremos nós Farelo, dos Algarves e Contador, de Santar. E, fechando com doce e línguas de gato, maça no destilador.

E tudo com princípios, no vinho e no queijo, que afinal, vejo-me nesta idade obrigado a reconhecer, é de entradas e saídas. Ele há dias que não prometem nada e, indo a ver, jantar e cama. Antes das oito da noute.

Assim o vinho, e o Prado, fiquem de atalaia. E que não nos faltem “bolos de soda” ou “cavalos de açucar”. No principio foi o vinho, e a dor de cotovelo, no final medronhámos.  

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