Por São Simão, ao Palace!


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Por São Simão, ao Palace!

É difícil olhar à carta, liberto das grilhetas da amizade. Todavia, é essa mesma amizade, que se quer para toda a vida, que nos faz olhar ao trilho e ao que se andou para aqui chegar. Assim, amanteigados e com umas belas azeitonas, carnudas e molhadas em bom azeite, sentei-me a bebericar um Encruzado, de S. Simão da Agueira. Para evitar fogo amigo e sabendo eu que já trazia aviado, no Divino, um outro branco, Encruzado, ao modo e ao ano.

E nestes anos, o Luís Almeida cresceu, se cresceu, e é merecido. O Luís, o Henrique, o Diogo e outros tantos que me não lembram, isso atirem-me com o grão em lata e perdoem, são os grandes obreiros de dois essenciais. Olhar à horta e às leiras, tirar da Região o melhor que tem. Na cozinha, lá iremos, na dispensa e no mercado.

Assim entrados, seguimos de pão artesanal, e de pão, entre outro muito mais, sabe o Luís, conversa e petisqueira.

Adoramos a ideia, variar nos petiscos e nos vinhos. Depois do Encruzado entradeiro, tomamos-lhe gosto e pedimos outro, de produtor diferente, para acompanhar uma salada de pêra, crumble de frutos secos e queijo da ilha ralado na mesa. Grande ligação, a pêra e o queijo, seguimos com rabo de boi, maionese de trufa e parmesão, bem entalado no sabor, uma carne estufada com tempo e a desfazer-se no palato. Simplicidade de sabor levada ao extremo.

Para refrescar pedimos um Pica pau do mar, com camarão bem calibrado, mexilhões e salmão. Um toque de lima e coentros e, lá estava eu, nas ondas do Atlântico. Como não há refeição sem carne, trincámos os nossos muito favoritos ‘chupa-chupas’, assim conhecidos desde que o Afonso ali arribou. A tempura, uma polme que envolve o frango e vai a fritar, que levámos ao Japão e, em jeito de sobremesa, os clássicos e sublimes folhados de nozes e queijo Serra da Estrela. A sobremesa, uma cortesia, trazia chocolate e um agrado à Anita, cinquentenária e que não ficou esquecido. Assim se cativam clientes e agrados.

O Luís Almeida, que como toda a nova leva tem graduação académica, entrou-me no radar algures em 2012, não sei precisar. De gravador na mão, sempre me contou histórias da culinária, descobertas e vontades. A carta do Palace mostra isso, no Memórias também tem o seu toque, mas esse é outra partitura e do Paço dos Cunhas, feitos reconhecidos. Longa vida a quem gere, sem esquecer a cozinha. E eu lá fui ver, como comer uma excelente refeição é rasgo, arte, criatividade e árduo, literalmente, trabalho.

Por mérito da Vanessa Miriam, arrumei-lhe com uma, para mim, desconhecida, aguardente de Maça de Bravo de Esmolfe. Generosa, não ficou pinga na botelha e eu, maravilhado pelo esmoer, fui ao site do produtor, gamar a fotografia que aqui deixo e anotei-a para o livro que anda em preparos.

E lá voltamos ao início, a Maçã Bravo de Esmolfe Bio, que não sabemos cuidar, aqui trazida à liça por uma criteriosa escolha de produtos. Que se assinale o invisível trabalho.

No final, cem mil reis por onze petiscos, entre pão, manteigas e pratos. A que se junta uma botelha de vinho, mais um copo, a água do catraio, o café e tudo o mais.

Supimpa.

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