

Gosto do nome. São Simão da Aguieira. E este, bebido ao supetão, trouxe boa fruta, untuoso, de boca fresca, largo e pródigo.
Tenho o hábito de me sentar para refeiçoar e, antes de tudo, um copo do vinho aberto, ou o que estiver de serviço, desde que seja Dão. Minha mulher penitencia-se, mas de ferro travado chego-lhe. E assim, refrescado das ânsias da goela, já analiso detalhes e escolhas. Bebi-o na rua Paulo Emílio, nesse dia de Encruzados, de que vos tenho falado. Calhou-me em sortes este Borges Quinta São Simão da Aguieira 2023. Fresco, aberto bem antes de o bebericar, soube-me pelo mundo.
Vibrante, assomados os 13º, destino traçado em 2023, quando a vinha trouxe generosidade. Quantidade e qualidade, engenho, alguns planos alterados, mas uma campanha justa.
Este Encruzado soltou-se, complexo e jovem, mineral e fresco. A Borges, que será proprietária da maior mancha continua de vinha no Dão, tem no Meio Encosta um clássico. Ainda assim este varietal não desmerece às vendas, fresco, intenso e entusiasmado. Bom de entrada.
Retomo a Borges que aqui produz 1,2 milhões de litros, na Aguieira, em Nelas. Ali o vinho é vinificado, com as uvas dos 74 hectares de cepas, depois viaja ao Norte para ser engarrafado. Como sabem, não gosto disto, aprecio que o dinheiro fique na região, mas há que saber ver mundo.
Dito isto, uvas prensadas com gentileza, dez dias depois descansam três meses em borras finas e cá virá ter a botelha. A copo o preço varia, entre os 2,5 e os 4 euros, em botelha vale 11,67 euros.
Mineral e fresco, este Borges Encruzado 2023 surge bem arejado ao beber e à guarda.






