

Entrei-lhe pela rua do Carmo, em dia de chuva, com estacionamento poisado no limite e corrigido para a decência. Lá dentro as luzes apelavam a uma espreitadela aos pipos. E não só o espreitei, como o bebi.
Servido a copo, é um clássico branco de bica aberta e fermentação com temperatura controlada. Criado pelo António Mendes, enólogo e tutor de boas cooperativas, mostra-se citrino, encorpado e já com uma generosa untuosidade.
A vindima de 2023 trouxe alta qualidade e maior volume no Dão, apesar do escaldão das videiras em algumas zonas. Temperaturas acima dos 40 graus, ano de desafio, produziu este bom vinho que bebi a copo, no Divino.
O serviço a copo compensa pela rentabilidade para quem vende, é também esse dinheiro que chega aos lavradores, favorece quem bebe que se afoita a coisas diferentes. E, por vezes, o copo transborda e vende garrafas. Assim os saibamos assinalar. Na ardósia que seja.
Este Adega de Mangualde Encruzado Reserva 2023 emociona, elegante, bom porte, acidez vigorosa e perseverante.
Boa companhia em dias de chuva, de conversa e convívio, franqueador de amizades e palradores. Muito bom para começo de conversa.
No fim, um prolongamento dos sabores, mineral, floral. Um contumaz ideal ao fito, a bom preço, lançado, ainda assim, aos 13º. Guardem umas, bebam outras o quanto antes.






