

A modernidade tem destas coisas. Frescas. Uma ida, um supetão ao supermercado do bairro, olho fugaz aos vinhos nas prateleiras e nos frigoríficos, para já ter alguns frescos, mão lampeira traz este Torre de Ferro Rosé 2023, que chegou a tempo da homilia, na varanda virada à serra.
Num destes dias repetiu-se a gula e ele arribou em boa temperatura, disposto a torcer pelos torresmos do redanho, pasteis de bacalhau e umas, picantes, chamuças de carne, o triangulo a reclamar mais vinho. E acrescentou préstimo ao almoço. E se tem serventia e sabe bem, que se beba.
Conheci a marca em 2001, à época engarrafada na Adega Cooperativa de Tondela, hoje produzido pela Global Wines. Creio que seja produzida com uvas Tinta Roriz e Touriga Nacional, com prensagem suave que lhe dá a cor rosa. A estrutura, leve, vem do inox e da madeira usada, onde esteve meio ano antes de chegar ao mercado, por 1,99 euros. Como se ganha dinheiro assim, não sei, contudo este é claramente um vinho a pensar no grande consumo, e na distribuição, que não deixa de ter uma acidez vibrante e de ser um finório. Na prova e no preço.
Em 2023 houve qualidade e quantidade na vindima, apesar da meteorologia algo adversa e, aqui e ali, extrema. O que não impediu os 12,5º deste Torre de Ferro Rosé 2023, vanguarda de mesa generosa.
Havendo cuidado, chegamos a este rosé.
Refrescante, mediano e ao preço da uva mijona. E no que é mais, atilado ao perfil que se espera dele.






