Quinta de Saes Reserva Branco 2022


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Quinta de Saes Reserva Branco 2022

Foi a quarta garrafa, e marca, a chegar à mesa e fechou, para surpresa minha, de forma subtil, um almoço de brancos, que teve na lambarice um genuíno cabrito que eu não vou em modas. A Estrutura está lá, mas é a leveza que causa o sobressalto. Um espanto mal abri as goelas e, depois do nariz e um longo golo, percebi. O que é perfeito, não se anuncia. Bebe-se.

A.C.; como agora indicam as cartas da restauração, é um Príncipe dos vinhos. Não o conheço, pessoalmente, mas desde que lhe bebi um Saes Rosado, fiquei fã. E a Pellada é outro refrigério. Mas fiquemos nas montanhas do Dão e neste Quinta de Saes Reserva Branco 2022, produzido por Álvaro Castro, que além de engenheiro e bom gosto sabe, de há muitos anos, criar vinhos com arte. Daqueles que guardamos. Foi o que sucedeu com este, mas na memória.

Um blend, Encruzado a metade e dois quartos de Cercial Branco e Bical, vinhas com quase duas décadas, que lhe deram aroma gracioso, delicado, em boa harmonia com a acidez e uma mineralidade profunda, resultado de solos graníticos, e, arrisco, ligeiramente argilosos.

A arte de criar vinhos está também no que nos transmitem e ensinam. O produtor teve esse cuidado e ficamos a saber que o segredo está nas curtas horas do contacto pelicular, ainda no dia da vindima e depois uma fermentação muito lenta. O segredo da mesa, fogo lento.

Foram três meses em fermentação lenta, honra a quem sabe comunicar os vinhos, ou seja, bâtonnage, uma francesice que já me valeu uma quitanda, mas é assim que penso. Contudo, traduzo, é o mexer, ou, melhor e mais autêntico, o agitar das borras, em depósito. O que provoca nova suspensão das borras, e que riqueza de açucares, que acrescentam acidez, textura e tornam este branco delicado e sensível. E, direi, respondem pelos bem ponderados 13º, que não se notam na ligeireza do beber, mas acrescentam sabor e textura. Daí também a boa e presente mineralidade.

Custa, em loja, 17 euros, chegou à mesa a 22 euros, o que significa que ainda há estalajadeiros ponderados, de bom senso e que, sem aleivosias, albergam dois magnatas e quatro botelhas. Haja saber.

A vindima de 2022 foi seca, as alterações climáticas estão aí, resultado de ano de pouca chuva e bom calor. Claro, a altitude traz equilíbrio e é vantagem, porque quando subimos a montanha, a temperatura desce e há ali também uns resquícios de água que minoram os calores e hidratam as cepas. Mais mineral numa safra como a de 2022 e que não perde classe.

Um branco de estalo!

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