É o segundo Encruzado de 2024 que bebo e continuo espantado pelo preço. Mas que não haja dúvidas, é um vinho bom, adequado a esta Primavera que aqui e ali vai aparecendo, varietal, com a mais nobre casta branca do Dão.
Uma boa uva, que beneficia da altitude e dos solos graníticos, acresce que é uma casta amiga do lavrador, que soltou um vinho cor limão esverdeada, boa acidez, já de boa estrutura, apesar dos seus 12,5º e muito mineral. O final é persistente, resultado de estágio, curto, em madeira.
Custou 3,99 euros, no hipermercado, espanta pela qualidade e preço. O mesmo sucede com o Foral D. Henrique Encruzado 2024, aqui comentado e que me chegou a menos de dois euros a garrafa. Tal embaratecimento tem-me levado a comprar caixa em vez de garrafa, temendo eu que se trate de fruto do acaso. Não é. Mesmo quando enfileiro pelas seis botelhas, não há ali nada que mude.


E isto leva-me a uma conversa que tive no Solar do Dão, sobre as tarifas aduaneiras que os Estados Unidos preparam. Uma preocupação porque vai subir o preço do vinho. Ora, numa outra conversa intercetada nas redes, a subida de preço, contra mim falo, é coisa boa. O Encruzado não pode ser vendido ao preço da uva mijona. Tem de haver um módico de preço, que reflita os custos de produção, as quantidades e a qualidade do vinho. E beber um Encruzado a este preço, é como comprar um fato prêt-à-porter, quando merece um AC Alfaiates.
A casta é única, bons vinhos, que não ganham em ter concorrência pelo preço. Sucede que 2024 foi vindima de qualidade alta e quebra de produção no Dão. Resultado do ano chuvoso, tempo instável, geadas em abril, granizo em junho, em que a produção caiu 15%, quando comparada a 2023. O que espanta o consumidor e levanta interrogações. Adiante, se teimarmos em querer competir nos vinhos baratos, não sairemos da cepa torta.
Seja, se é barato e bom, convém armazenar. No palato não há duvida que se trata de um Encruzado, um excelente Encruzado aliás, que marcha muito bem em companhia, ou a meio da tarde, quando o estio pede refrigério.






