A Sociedade Agrícola Casa de Santar produz um dos vinhos mais antigos do Dão e tem nesta uma marca icónica, porque soube preservar a imagem clássica, até austera. O vinho merece-a. Escolha sólida em qualquer carta, um vermelho intenso, boa fruta, estrutura bem ancorada, de taninos suaves, fruta, complexo, bem estruturado, elegante, harmonioso, de taninos bastante finos. Bem ataviado, é gentil e sofisticado, sem deixar de ser o que é. Um Dão de Santar.


A Casa de Santar foi fundada no final do século XVIII, adega histórica, horizontes largos de vinha, em Santar, vila da qual não sabemos, e não queremos para tristeza minha, aproveitar todo o legado.
Simples no beber, intenso, resultado de uma vinificação com desengace total, maceração pelicular prolongada e suave e está gio em madeira, que lhe atiram a qualidade para os 13,5º, sendo este daqueles que pede comida, um arroz de carnes, com um toque de carqueja, um bom estufado, ou, melhor, um assado de fogo lento, daqueles que nos levam 6 horas a fazer e, quando damos conta, já provámos a primeira das garrafas.
O anos de 2022 mostrou as alterações climáticas, calor que abrasou a produção e se ressentiu nas garrafas embotelhadas. O vinho cresceu na adega e está fenomenal, nada de transcendente, um bom vinho que tem um aspecto único. A marca, forte e que nunca desilude.

Produzido com um lote de Aragonez, Touriga Nacional, Alfrocheiro, pode inquietar algumas almas.
O Aragonez, uva tinta da família da Vitis vinifera, é casta conhecida e arrasta alguma confusão. E não usarmos um nome comum a toda a região só nos prejudica. Veio do Norte castelhano, por cá é conhecida como Tinta Roriz, e há uma aldeia de nome Roriz em Penalva do Castelo, para os espanhóis Tempranillo.
Tantos nomes para uma casta, numa botelha que vale 6,40, na grande distribuição, não deixa de ser um tinto ambicioso, de bom corpo e melhor evolução.
O Casa de Santar Tinto 2022 garante ao que vem, maduro como o maio, feliz de beber.






