O Adega de Penalva Tinta Roriz 2020 é um vinho tinto monovarietal que expressa com autenticidade o carácter robusto e elegante da casta Tinta Roriz, ou Aragonês e, do lado de lá da Ibéria, Tempranillo. O que resulta de um vinho de cor encarnado carregado, reflexos violáceos que denunciam juventude e concentração.


No nariz, revela um aroma frutado intenso, com notas de frutos vermelhos maduros, ameixa preta e um toque de especiarias doces provenientes do estágio em madeira. Na boca, é um vinho de estrutura firme, com taninos musculados, mas bem integrados, acidez equilibrada e um final persistente e elegante. O estágio de 12 meses em barricas novas e usadas de carvalho francês, seguido de engarrafamento ao fim de 17 meses, confere-lhe complexidade e potencial de envelhecimento
Confesso que tenho dificuldades em beber Adega de Penalva do Castelo, que produz excelentes e muito bons vinhos, mas a que falta hombridade. Lembram-se do Tinta Pinheira que, sem hacer colheita pelo meio, subiu de preço até tocar na estratosfera? E a forma desabrida como dispensaram, e os prejuízos que isso causou na imagem do Dão, Virgílio Loureiro? O consumidor destes tempos agitados sabe o que quer e procura conhecer o lastro agregado.

Eu, posto perante bacalhau alto, boas batatas, dois ovos e umas hortaliças, não havendo outro que me espicaçasse o paladar, suspendi por uma garrafa, o meu pensar. Adornei almotolia e fiz-me a ele, a 14 euros a garrafa, na restauração.
A Tinta Roriz é uma das castas tintas mais prestigiadas de Portugal, conhecida pela sua versatilidade, estrutura e capacidade de envelhecimento. No Dão, esta casta ganha uma expressão particular: os solos graníticos e o clima de montanha conferem-lhe frescura, elegância e taninos mais polidos do que noutras regiões. Aromas intensos, acidez natural e taninos firmes, desses que pedem tempo em garrafa.


O ano de 2020 foi desafiante, mas positivo para a viticultura no Dão. O Inverno foi relativamente seco, mas a primavera trouxe chuvas suficientes para equilibrar o ciclo vegetativo. O verão foi quente e seco, com algumas ondas de calor, o que exigiu uma gestão cuidadosa da vinha para evitar stress hídrico excessivo.
Apesar das dificuldades, a vindima decorreu com uvas sãs e bem maturadas, especialmente nas parcelas em altitude, onde as amplitudes térmicas ajudaram a preservar a acidez e a frescura. A Tinta Roriz beneficiou particularmente destas condições, apresentando boa concentração fenólica, taninos maduros e excelente equilíbrio entre álcool e acidez.

Um vinho que melhora a cada ano, um vinho vivo, fresco e frutado. Agrada pela cor, pelo palato e, com 13,5º é pleno de intensidade e atratividade.







