O Casa da Passarella A Descoberta Branco 2024 é um vinho chegado das montanhas, autenticidade nesse lote que combina tradição, frescura e elegância. Produzido a partir de castas autóctones como Encruzado, Malvasia Fina e Gouveio, em avançado resgate, este branco revela uma expressão aromática refinada, flores brancas, e, no que me apraz, subtil toque mineral.


A botelha chega ao mercado a 9,10 euros, 12 na restauração sensata e no primeiro olfato, toda a volúpia de um branco acidez vibrante e textura cremosa, o que é alegria para um vinho que tem agora dois anos.
Estagiou sobre borras finas durante seis meses, o que lhe deu uma estrutura equilibrada, final longo, que convida ao próximo gole. Tenho para mim que muitos ainda não entendem o modo de criar vinhos do Paulo Nunes, técnica e identidade regional muito marcada, ideal para beber já ou para guardar 4 anitos e esperar para apreciar a evolução em garrafa, que este é dos envelhecem com sensatez. nos próximos 3 a 5 anos.
Este branco é um excelente exemplo da nova geração de vinhos do Dão, frescos, gastronómicos e com grande sentido de lugar, o que faz toda a diferença para consumidor atento.



Fundada em 1892, a Casa da Passarella é uma das propriedades mais emblemáticas da região do Dão e uma das pioneiras na definição da sua identidade vinícola e no engarrafamento. Localizada em Lagarinhos, no sopé da Serra da Estrela, a Casa da Passarella foi uma das adegas fundadoras da Região Demarcada do Dão em 1908.
Ao longo de mais de um século, a propriedade foi palco de histórias fascinantes e de vinhos lendários. Por lá passaram nomes ilustres da enologia portuguesa, como Mário Pato e Alberto Vilhena, que contribuíram para a reputação de excelência da casa e, se me permitem, da Região.
E isso foi conseguido com um projeto que respeita o legado histórico e cultural da propriedade, mas que aposta na inovação, sustentabilidade e autenticidade. As vinhas foram reestruturadas, já neste século, mantendo as parcelas mais antigas, e a adega foi modernizada, sempre com o cuidado de preservar o património arquitetónico e enológico. E, nos rótulos, histórias.

Um perfil elegante e minimalista, sem recorrer a processos de estabilização agressivos, sofisticado, vivo e fino. Delicado sem olvidar uma enorme frescura no conjunto final.
O ano vitivinícola de 2024 foi particularmente favorável na região do Dão. O Inverno trouxe chuvas regulares, essenciais para repor as reservas hídricas, enquanto a Primavera foi amena e estável, permitindo uma floração homogénea e saudável.
O Verão apresentou temperaturas moderadas e noites frescas, condições ideais para uma maturação lenta e equilibrada, preservando a acidez natural e a expressão aromática das uvas brancas. A vindima decorreu entre o final de agosto e o início de setembro, com uvas sãs, bem maduras e com excelente equilíbrio entre açúcar e acidez. Talvez, avento eu, um prenúncio da vindima deste ano.







