O vinho, produzido pela Amora Brava, destaca-se pela abordagem moderna e expressiva. Apresenta uma cor citrina e brilhante, no nariz, revela uma paleta aromática convidativa, com notas florais, complementadas por um toque cítrico de lima e um frescor subtil, com ligeiro impacto da madeira, que surge bem harmonizada com a fruta.

Este vinho é uma expressão mais complexa e estruturada da casta Encruzado, e a menção “Grande Reserva” implica um estágio mais longo, em barrica e em garrafa, o que lhe confere maior complexidade e capacidade de evolução.
Cor amarelo-palha com reflexos dourados, mais intensa do que a de um branco jovem, resultado do estágio em madeira e da idade. No nariz é um bodo, complexidade aromática notável: notas cítricas e florais, notas tostadas e nuances minerais. Na boca, o que se destaca é a estrutura, a untuosidade e a persistência. A fermentação deu-lhe volume e cremosidade, sem perder a acidez viva, característica da Encruzado e que lhe garante frescura e longevidade. O final é tipicamente longo, complexo e elegante.
O Índio Rei Grande Reserva Encruzado, aparece em loja, e a marca tem uma na Pousada de Viseu, a 42 euros, que reflete o posicionamento premium do vinho. Um vinho para momentos especiais, para apreciadores que buscam complexidade e profundidade que o Encruzado oferece.
Pormenor interessante, e pensando são os rótulos, bastante distintivos, que remetem à identidade do “Índio Rei” de forma estilizada. Um minimalismo que confere elegância e permite que a imagem principal respire, o design a valorizar clareza e mensagem direta.


Não se trata de um rótulo que reproduz diretamente uma pintura de Grão Vasco, mas antes inspirado numa interpretação de uma obra de Grão Vasco. Uma inspiração cultural e histórica, que acrescenta cosmopolitismo e sofisticação, a par da histórica, que combina a tradição artística portuguesa com uma visão contemporânea do vinho.

Voltemos ao Branco, um bom exemplo de como o design pode reforçar a personalidade do vinho e da empresa. Resultado da vindima de 2019, em que as condições climáticas permitiram uma maturação gradual das uvas, resultando em vinhos com boa acidez e concentração de aromas e sabores. Houve um bom equilíbrio entre as temperaturas e a precipitação, o que é crucial para a qualidade das uvas brancas, preservando frescura e potencial aromático. Tomo como certo que foram estas condições que ajudaram a ganhar este perfil equilibrado e aromático do Índio Rei Grande Reserva Encruzado.
É uma excelente escolha para quem procura um branco do Dão com boa tipicidade e autenticidade. Sem deixar de ser requintado e garboso, o que importa num mercado cada vez mais vigoroso. Um belo vinho, onde as notas de madeira, discreta, surgem num primeiro momento, mas, se atentarmos ao palato, está lá fruta e mineralidade. E acidez, que expressa plenitude e o potencial de longevidade da casta.
Um vinho para ser apreciado com calma, e prazer.






