Soltou-se da garrafeira, em resposta a um anátema quem me foi atirado e, já sabeis, eu nestas coisas não sou de despachos, sou de atavios. E sete anos depois, o Quinta dos Grilos, parte do grupo Global Wines, mantém expressão do Dão, fruta e acessibilidade. Produzido a partir de castas como Touriga Nacional, Tinta Roriz e Jaen, traz frutos maduros, boa reputação, melhor sabor e um envelhecimento digno.

Em boca, não perdeu estrutura, lá está, encorpado, cremoso e com taninos suaves, mas presentes, apesar do tempo. A acidez equilibrada contribui para um perfil fresco e suculento que se aguentou, não que não apresente já umas rugas, mas bebeu-se no ponto, acompanhado de uma bolonhesa e quatros queijos ralados sobre o Tagliatelle.
Tostas e o evoluir do vinho, a regra dos anos, não me posso queixar. Viçoso, ainda, foi arejado e ganho tempo. Delicadeza, e alguma rudeza que, como tudo, foi limpa de arestas pelo tempo.

Com 13º, chegou de Tonda, macio e bem equilibrado, concebido para ser apreciado na sua juventude, e, contudo, envelheceu lindamente. Perdeu alguma robustez inicial. Mas mantém o fulgor. Ainda há no mercado, a 6,35 euros.
Cor rubi, já pálido, floral com leve compota. No paladar, encorpado e cremoso, com taninos finos, mas firmes, e uma estrutura sólida. É um vinho saboroso e ligeiramente defumado. Acidez e sabores de groselha preta, ligeira adstringência, maduro e macio. Harmonioso, passou bem na prova do tempo, com bom volume, acidez bem integrada, taninos polidos.
Convenhamos, o Quinta dos Grilos 2018 recebeu uma pontuação de 87/100, com base em 3 avaliações, mantém-se rico e intenso, nem blend tradicional onde a Touriga é pilar essencial.

Em jantar familiar, a mim coube-me apreciar, a muito, ativa e atrativa boca, redonda, acidez presente e boa persistência. Nada mau, para um vinho que soube envelhecer bem.






