Passarela Pedra do Gato Encruzado 2024


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Passarela Pedra do Gato Encruzado 2024

De uma vida, sempre apreciei vinhos velhos, mas, chegado agora às portas da velhice, deparo-me com mudanças no gosto e, mantendo a preferência pelo envelhecimento em garrafa, não deixo de topar o viço dos vinhos jovens, como é o caso deste, que desceu a montanha para a minha mesa.

O Passarela Pedra do Gato Encruzado 2024, que se provou simples e a quem se acrescentou uma côdea e um naco de salpicão, é um varietal e um excelente exemplo do que de melhor se faz no Dão. O Encruzado permite-nos elegantes e complexos, combinando um carácter cítrico, com notas de fruta de polpa branca e uma notável mineralidade. E este, ainda irrequieto na sua juventude, já se mostra volumoso com uma acidez vigorosa, final de boca longo e persistente. O vinho harmoniza muito bem com a mesa e a botelha, a 9 euros no hipermercado, mostrou-se estruturado, com promessa de bom envelhecimento. Um branco de perfil mais fresco, complexo e mineral. Moderno, produzido pela Casa da Passarella para um grupo de distribuição, em regime de exclusividade.

A Casa da Passarella é um nome de referência no Dão, uma das mais antigas e históricas propriedades da região, com raízes que remontam a 1892. Localizada em Gouveia, na encosta da Serra da Estrela, a vinícola tem uma filosofia de produção que valoriza a tradição e o respeito pelo terroir. São conhecidos por explorar as características únicas da região, produzindo vinhos com grande personalidade, mineralidade e acidez vibrante. O seu portefólio é diversificado, e o vinho Pedra do Gato é uma das suas linhas mais conhecidas, que surge em colheita, o que provei e em premium.

O conceito de “vinhos de montanha” aplica-se na perfeição ao Dão e, em particular, aos vinhos da Casa da Passarella. Este termo não se refere apenas à altitude, mas a um conjunto de características únicas do terroir que influenciam o vinho. As vinhas estão plantadas em altitudes elevadas, o que resulta em amplitudes térmicas diárias maiores (diferença entre a temperatura do dia e da noite). Este fator é crucial, pois ajuda a preservar a acidez e os aromas das uvas. Os solos de granito e quartzo, típicos do Dão, conferem uma forte mineralidade aos vinhos. A expressão “pedra” que surge no nome “Pedra do Gato” é uma boa metáfora para os solos da Casa. Acresce ainda que a região, protegida pelas serras do Caramulo, Buçaco e Estrela, tem um clima continental. Isto significa Invernos frios e Verões quentes, mas a influência da altitude garante a frescura essencial para vinhos brancos como o Encruzado.

O Pedra do Gato Encruzado é um vinho que representa muito bem o potencial da casta Encruzado, dos solos e da montanha, com acidez e mineralidade que o tornam ideal para a gastronomia, entenda-se, mesa farta e que denota uma profícua qualidade a um preço acessível.

Apesar da untuosidade já presente, há ali um toque seco que nos deixa felizes, bastante citrino e de boa boca, final, persistente, a lembrar-nos essa Casa, lá no alto da montanha.

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