Milénio Tinto 2020


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Milénio Tinto 2020

Após um dia de consultas, toda a família no consultório do médico, atirei-me a namorar a Anita, passeando por Jugueiros – história que vos contarei um destes dias, resolvi-me ao rebusco, hábito que muito prezo. O rebusco é procurar, e encontrar, os vinhos certos nas pequenas mercearias e minimercados, onde se encontram preciosidades, a preços muito sensatos. Este Milénio Tinto 2020 é um vinho de entrada de gama, com um preço bastante atrativo.

Com o vento a bater-nos na cara, lá entrámos no mercado do bairro, de caminho arrebanhámos dois vinhos, este que aqui vos conto, e um outro que ficará para mais tarde. Bem sei, a minha consciência litiga com este produtor, não gostei da forma como destrataram um dos mais eminentes estudiosos e promotores do Dão, mas lá me entreguei ao tinto, ainda acostumado ao hábito galego que o recomenda, com tapas, robustas para aplacarem “Coração, Cabeça e Estômago”, saga e romance de Camilo Castelo Branco, publicado em 1862 e que narra a ambivalência da vida humana na sua busca desesperada de sentido. O Camilo e eu, muito devemos ao briol, afinal, tomado de devaneios, os nossos corações não são dos “peiores”.

Custou-nos 4,50 euros e estava no ponto, com cinco anos e quatro vindimas passadas, a dança da Touriga Nacional e o Aragonês; que vem escrito no rótulo embora eu prefira Tinta Roriz, porque Roriz é também aldeia penalvense, esta é uma combinação clássica na Região.

No copo ainda com a cor rubi brilhante, a estrutura da Tinta Roriz que mantém a acidez equilibrada, ajuda a guardar os vinhos, que envelhecem bem e com acréscimo de qualidade. O namoro com a Touriga Nacional permitiu arredondar e suavizar os taninos mais robustos da Touriga Nacional, uma valsa em forme de lote.

O nariz agradeceu o tempo, ainda frutado e atraente, de aroma direto e descomplicado. Na boca sabor intenso, taninos que não se impõem, mas que estruturam. Com um final de boca persistente e bem calibrado, que denota um vinho bem feito e versátil. E foi-o. Na companhia de um singelo bitoque, sem adornos e façam favor de não resmungar que isso de brancos para isto e tintos para aquilo já acabou.

Foi-o em resultado de uma vindima atípica, Inverno e Primavera de temperaturas subidas, Verão de calor e estio dos valente. O resultado? Menor quantidade de uvas devido à desidratação, mas compensou com uma qualidade excecional, com a película mais espessa, o que contribuiu para vinhos muito aromáticos, frescos e com boa estrutura. 

A breve passagem por barricas confere-lhe uma complexidade discreta, sem anular a sua característica principal: a fruta.

Em suma, o Dão Milénio Tinto 2020 mostrou-se escolha sólida, que me faz procurar outras botelhas, com uma excelente relação qualidade-preço e muito versátil à mesa, se esquecermos preconceitos e ideias feitas.

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