Cabriz Branco 2023


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Cabriz Branco 2023

Numa destas tardes, ainda brilhava o sol, saí-me à rua, a catrapiscar a Anita e, como de hábito, vinho branco para a mesa, conversa e cigarros. Estava em Jugueiros, umas das mais cosmopolitas avenidas da cidade de Viseu. Sim, eu vagabundei muito por Jugueiros, mas hoje não é só a Avenida Madre Rita. A fila de bares, restaurantes e pontos de encontro tornam este poiso apetecível.

Ora no bar onde estive não havia vinho do Dão a copo. Uma pecha que pegou de estaca na cidade, com as distribuidoras a queimarem vinhos e negócios, toda uma Região. E logo aqui, junto ao Instituto Politécnico de Viseu, que tem dos melhores cursos de enologia do país na Escola Agrária. Dali saíram enólogos e agrónomos de renome e os hoteleiros, barmen ou escanção, restauradores e ademais deviam perceber, e sobretudo sentir isso. Caramba é bom para o negócio, para a comunidade escolar, para o Dão. Um compromisso com a cidade, é isso que se espera quando entramos num bar. E nem é preciso pisar a linha de fronteira para ver o óbvio.

E nisto nem a botelha pedida havia. Vem Cabriz, grande, bom e honesto. Jamais beberei o que me querem empurrar. E assim, eu e a Moça que me reclama poemas de amor, no adiantado do vinho, lá escolhemos ementa para levar jantar. Há que esperar, e nós preocupados, catrapiscados um do outro, municiados e enamorados, ela já não se pode falar contigo e eu a namorá-la. Assim não dá. E quando se fará o poema! E nisto, o vento, a vindima e o sol, e nós na beberagem. A purificação do fim de tarde.

Adiante, a Anita acabou a pedir outra garrafa, 11 euros um preço simpático para bar, que eu bem sei quanto ele custa nas grandes superfícies e garrafeiras e é moda acrescentar 300%, vendem menos, ganham menos ainda. É preciso sensatez que o consumidor, e o bebedor, sabe. O Dão Cabriz Branco 2023 é vinho que cumpre o prometido, jovem, frutado e acessível. De cor citrina, os tons esverdeados a galvanizar a juventude da botelha, nariz expressivo e enxuto. Notas de fruta citrina, um apontamento floral. Aroma direto e descomplicado, feito para agradar. Um vinho jovial, como nós no amor.

O lote, usual no Dão traz Encruzado, estrutura, mineralidade e complexidade. Malvasia Fina, a elegância do aroma. Bical: acidez e frescor, essenciais para que o vinho seja vibrante e fácil de beber. Cerceal Branco, muito bom e menos comum, mas acrescenta acidez e notas cítricas. Atrevo-me a dizer que ainda não encontrei, no Dão, um varietal deste Cerceal. Tudo isto permitiu um vinho que equilibra a frescura e a acidez, com os aromas frutados e a mineralidade do Dão, tornando-o um vinho versátil e de grande agrado para o público.

E com esta minha fúria de escrivão e tabelião proclamo: o Dão Cabriz Branco 2023 é um excelente vinho de combate, a força reside na consistência e no valor, fenomenal custo-benefício, entregando muito por aquilo que custa e que deveria custar que se os bares também podem ser cancelados, tenho três na lista onde não vou porque não há vinho do Dão a copo. Um desassombro. O vinho é fácil no beber e de entender, ideal para namorar e para o quotidiano dos dias.

A marca Cabriz, agora com Manuel Pinheiro ao leme, é conhecida por manter um padrão de qualidade ano após ano. O consumidor sabe o que esperar. É vinho para ser bebido jovem e com personalidade, ao contrário daqueles que apregoam que o grande volume não tem singularidade. Seja, o Dão Cabriz Branco 2023 é um vinho de sucesso comercial que cumpre o seu papel com maestria. É porto de abrigo para quem busca frescor, fruta e um toque de elegância, sem precisar gastar muito. É o tipo de vinho que prova que o bom não precisa ser caro.

Na boca, confirma-se a fruta e o frescor. É um vinho refrescante, de final elegante, harmonioso e de bem com a vida. Ele e nós.

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