Há um borreguinho que chama por mim, lá longe, quase na extrema do Dão, porque sei, do ter ouvido, que é só avisar e subo a Ladeira à Santa, que é como quem diz à Quinta das Corgas, em São João da Boavista, no concelho de Tábua.

Sim, a Região do Dão abala-se a três distritos, a circunscrição obtém domínios nas sub-regiões de Alva, Besteiros, Castendo, Serra da Estrela, Silgueiros, Terras de Azurara e Terras de Senhorim. Encontram-se assim reunidas condições únicas para a produção de vinhos com características próprias e bem definidas.

Ora somos amigos e de lealdade canina. O Professor Arlindo Cunha é figura proeminente, política, economia e viticultura. E Alfrocheiro. Por isso o trato, com merecida reverência, por Professor, ele que é ainda fundador e proprietário da Quinta Ladeira da Santa em Tábua, no pulmão do Dão. Onde tal forno e eliciosa carme me esperam, em telefonando ou calhando ao caminho.
Arlindo Cunha é Economista, chefiou ministério que, à época, aditava ao nome Agricultura, Pescas e Alimentação. Também ajudaram Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente. Tudo isto será motivo de conversa, e muito mais, quando a agenda me deixar o tempo a meu bel-prazer. Por ora, a Ladeira da Santa, estratégia, eu bebo-lhes o vinho.



O Ladeira da Santa Branco 2024, Colheita, é um blend que combina as castas Arinto, Bical, Gouveio e Malvasia Fina e, claro, caboucos na estrutura, o Encruzado. Esta combinação é pensada para criar um vinho complexo e equilibrado, daí o Gouveio, e mostra afirmação e arrojo no lote. Vinho de cor amarelo citrino, nariz aromas de fruta branco, um floral ligeiro e na boca mostra-se fresco e persistente, bom volume e uma deliciosa untuosidade. Acidez no ponto e mineralidade marcada.
A quinta situa-se na aldeia de São João da Boavista, no concelho de Tábua. A propriedade está numa encosta voltada para as serras do Açor e Arganil, no extremo sul da região do Dão. A sub-região do Alva, essa transição de solos, do granito para o xisto, uma dualidade que acrescenta mineralidade e complexidade. Vinhas entre os 300 a 400 metros de altitude, que garantem acidez natural aos vinhos.


A Ladeira da Santa começou em 1997 como um projeto familiar e de paixão. Em 2007, a atividade profissionalizou-se, e hoje a adega é reconhecida e guarda vinhos muito bons e distinções em concursos nacionais e internacionais. Saber ancestral, técnicas generativas de inteligência e eis o carácter da região do Dão.
Ladeira da Santa Branco 2024. Um excelente vinho para o tempo comum. Guardem algumas botelhas para o supetão feliz do reencontro.






