Malgas de azeite e vinagre e alho, muito


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Malgas de azeite e vinagre e alho, muito

Os meus Natais tinham o ritual do azeite. Sempre a hora da ceia, sentados, cortávamos alho e preparávamos o prato. Creio que o hábito venha do Norte. Depois chegavam as malgas de azeite. Uma delas com vinagre já misturado, um balsâmico no ouro milenar. Lembrei-me do azeite a propósito das Fidalgas. Em Santar, um produtor de vinho que juntou belos presentes para a quadra. Neste Armazém, também. E que profunda é a inquirição! Tocar no azeite é tocar na alma da terra e na memória dos antigos.

O azeite, esse ouro líquido, é mais do que um condimento; é a própria seiva de uma civilização milenar. Não é no nome sagaz da marca que reside a verdade, antes o valor, mas sim no berço sagrado onde o fruto é colhido: Santar, em Nelas. Na brisa do Dão, onde a vinha tece o manto da paisagem, Casal Sancho e Santar partilham uma herança fidalga e camponesa. Ali, a oliveira secular estende ramos retorcidos, quais braços de velhos sábios a abençoar a colheita. As referências a antigos lagares de azeite sussurram a sabedoria ancestral, a terra fértil de Nelas, famosa pelo vinho que alegra o espírito, é também mãe da azeitona que unge a vida. As Fidalgas de Santar não inventam a tradição; elas apenas a vestem de novo, com o respeito devido ao património do sabor.

Pergunta-me sobre a casta, se é a Galega, a Verdeal, ou outra musa do olival. É um segredo belo, pois o azeite, como o Homem, é um blending de influências.

A alma da região das Beiras, onde Nelas repousa, ama a ‘Galega’. Esta é a mãe dócil e generosa que oferece um azeite de perfil suave e frutado, um néctar que acaricia o palato sem o agredir. É a suavidade que nos lembra a brisa calma da serra.

Poderá haver nela um toque da ‘Cobrançosa’, a nota mais intensa e vibrante, ou talvez, até, outra casta que imprima a força discreta da terra de granito.

O Azeite Fidalgas de Santar, descrito como suave, é o resultado de uma escolha sábia, a de extrair o sumo da azeitona através de processos mecânicos, respeitando a pureza e a integridade do fruto. É o sumo da oliveira, a essência da luz solar guardada na azeitona e transmutada em óleo de vida.

É a filosofia da moderação, onde a suavidade é a maior virtude, conferindo ao azeite o dom de realçar o sabor do que o acompanha, sem o ofuscar.

Este azeite, em bonitas caixas, é um convite a saborear a história, cada gota é um testemunho da longevidade da oliveira e da perseverança do povo que, geração após geração, se curva aos rituais da apanha. É um pedaço da identidade de Santar que se espalha sobre a mesa, digno de ser partilhado e honrado. Em malgas e colher de sorver.

É com a mesma reverência que a palavra se inclina perante o sumo da uva, o Vinho Fidalgas de Santar, que na Região Demarcada do Dão encontra o seu terroir de eleição. Este néctar é a própria expressão da nobreza de Santar, uma vila histórica cuja tradição vinhateira é secular e fidalga. Os tintos, majestosos e profundos, nascem de um quarteto de castas rainhas, Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Tinta Roriz. Estes vinhos exibem a cor rubi característica, prometendo um aroma intenso a fruta madura, uma complexidade delicada e uma textura aveludada e sedosa que preenche o paladar. São criados para a longevidade, honrando a arte de um Dão que recupera o seu prestígio, oferecendo carácter, elegância; enfim, uma personalidade que convida à degustação calma, para que a sua essência seja plenamente valorizada. No polo oposto, mas com igual distinção, os brancos das Fidalgas de Santar demonstram a versatilidade da terra. Tendo na casta Encruzado a joia branca do Dão e na Malvasia Fina as suas traves-mestras, estes vinhos são um hino à frescura e ao equilíbrio. Revelam um perfil floral e complexo, por vezes enriquecido por subtis notas de baunilha, que conferem maciez e persistência no final.

São vinhos dotados de uma acidez vibrante e moderada, que lhes confere elegância e o torna um par ideal para a gastronomia mais fina, desde os pratos de peixe e marisco até ao queijo mais afamado da serra, que também em caixa. Em cada garrafa, seja ela um Reserva tinto ou um Encruzado branco, reside o espírito guardado da paisagem do Dão, digno da sua capital histórica, Santar.

A tradição natalícia ganha um sabor autêntico e inesquecível com a excelência da região do Dão. Oferecer produtos oriundos desta zona de Portugal é presentear com a história e a qualidade da Beira Alta, uma opção que se distingue dos presentes convencionais. O verdadeiro valor de uma oferta reside não na sua etiqueta de preço ou na sua utilidade material, mas sim na sua capacidade de significado e na intenção que transporta. Filosoficamente, o ato de presentear é uma linguagem que transcende as palavras, estabelece um reconhecimento mútuo e uma valorização do vínculo. Uma oferta é, antes de tudo, um ato de tempo investido, tempo gasto a pensar na pessoa, a escolher o objeto e a antecipar a sua alegria.

Este tempo, e a empatia subjacente que nos leva a selecionar algo que ressoa com os gostos e a essência do outro, é o que confere o valor supremo. Assim, o objeto material torna-se apenas um símbolo tangível de um afeto ou respeito intangível, transformando o presente mais simples num testemunho profundo e valioso da relação humana.

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