Índio Rei Tinto 2019 Grande Reserva


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Índio Rei Tinto 2019 Grande Reserva

Chegou-me de prebenda, cortesia da Susana Melo, numa bela caixa de madeira, acompanhado de outras duas botelhas. Do Branco já vos falei, o tinto, estando em casa, respirou e abençoou uma empada de enchidos e frutos silvestres, o salgado e rico sabor dos chouriços, farinheira e morcelas e no meio a doçura e acidez dos frutos silvestres, em massa quebradiça. E sim, respirar faz bem aos vinhos.

Este é o Índio Rei Grande Reserva 2015, 25 euros em loja, um tinto que carrega consigo a mística e a sobriedade granítica da região do Dão. É um vinho que não se quer no copo; traz com ele uma história que recua ao século XVI, inspirada na pintura “Adoração dos Reis Magos” de Grão Vasco, onde um dos reis é representado como um índio sul-americano.

Feito a partir da colheita de 2015, uma vindima clássica e de excelente guarda no Dão, pelas mãos de Carlos Silva, enólogo que procura pureza e elegância, fugindo da extração excessiva, para privilegiar a frescura. Com 14% de volume, o lote exibe uma assemblagem, gosto da palavra, das castas mais nobres da região, cada uma trazendo um pedaço da alma do Dão. Touriga Nacional, espinha dorsal, conferindo estrutura e notas florais. Alfrocheiro, cor intensa e aromas de frutos silvestres maduros, Rufete, a acidez necessária e a longevidade mai-la Tinta Roriz, o equilíbrio e um toque de especiaria. Robusto e elegante. O vinho apresenta-se com uma cor rubi profunda, ainda com reflexos vivos apesar da idade, denotando uma maturação nobre e uma saúde invejável em garrafa.

Ao rodar o copo, liberta-se uma sinfonia de frutos vermelhos bem maduros entrelaçados com notas de bergamota e um toque subtil de violetas. Sim, este enche-nos as narinas e o palato, com uma vertente mineral e balsâmica muito presente, um discrtto carvalho, nariz complexo, que evolui à medida que o vinho respira. Na boca, o Índio Rei é uma carícia de veludo. É um vinho austero, mas elegante, onde os taninos estão perfeitamente polidos pelo tempo. A acidez é grande protagonista, confere-lhe frescura vibrante, que limpa o palato e convida ao próximo golo. O final é longo, persistente e profundamente sofisticado, deixando uma memória de fruta. Para descrever este Grande Reserva, temos de recorrer a palavras que honrem a sua linhagem, um vinho que sabe envelhecer, tem corpo, mas não é pesado e guarda segredos que só se revelam com tempo no copo. Reflete a frescura e a mineralidade do solo onde as videiras cresceram. Tudo ali, em copo de pé alto e reconhecido com Medalha de Ouro no Mundus Vini (Summer Tasting 2017), o que atesta a sua qualidade técnica e o seu apelo internacional logo após o seu lançamento. Esse também é o posicionamento da marca. Procedimentos? Abrir duas horas antes, deixar despertar o vinho, esta é uma escolha de uma sofisticação rústica absoluta. A empada de enchidos e frutos silvestres parece ter sido desenhada para este Índio Rei Grande Reserva 2015. No Dão, o equilíbrio entre a gordura e a acidez é o segredo de qualquer mesa, e esta escolha namorou bem o vinho. O vinho não acompanhou a empada, dançaram os dois com a perceção da fruta fresca no palato.

O contraste agridoce da empada é um desafio para vinhos comuns, mas não para um Grande Reserva. A estrutura de taninos presentes neste 2015 suporta bem o açúcar natural dos frutos silvestres cozinhados. Um tributo à gastronomia moderna portuguesa com raízes profundas, um prato com peso e um vinho com história.

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