O Paço Episcopal do Fontelo, guardião de memórias e de solares, vestiu-se de gala.



Entre as suas paredes seculares, o ar transbordava entusiasmo, viticultores de mãos calejadas, comerciantes de visão astuta, enólogos de palato fino, jornalistas e autarcas reuniram-se numa celebração vibrante. O motivo? A entrada em funções de Manuel Pinheiro, o novo rosto ao leme da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Dão.
No Solar do Vinho do Dão, entre a nobreza da cúria e o vigor da Confraria dos Enófilos do Dão, sentia-se a pulsação de uma região que não quer apenas existir, mas sim prevalecer.



Arlindo Cunha, que agora transita para o Conselho Geral, lançou a semente do futuro: uma task-force dedicada ao ambicioso dossiê da “Cidade do Vinho”. Este será o santuário onde a sede da CVR Dão, laboratórios de vanguarda, um Welcome Center da Rota do Vinho e um centro interpretativo que se fundirão para narrar a epopeia das nossas castas.



A sala, composta, feliz e banhada por uma luz de esperança, serviu de moldura a uma nova ofensiva do livro “Os dias que nos Dão”, uma obra que se deixa ler, página a página, neste Armazém.



Houve espaço para a gratidão e para o compromisso. João Azevedo, autarca de Viseu, selou com palavras o empenho total em acelerar este projeto de futuro. Joaquim Coimbra, ao despedir-se da presidência do Conselho Geral, foi honrado com uma relíquia da garrafeira particular da CVR. Manuel Pinheiro, o gestor que traz no currículo o rigor da Global Wines e a alma de quintas emblemáticas como Cabriz e Santar.



Manuel Pinheiro, em discurso inspirado e de alma cheia, desenhou o caminho. Apontou ao “triunvirato de ouro”: produtores, comércio e CVR. Com o entusiasmo renovado de quem sabe que o Dão é uma joia única no mundo, defendeu a justiça do preço para dignificar quem amanha a terra. “Temos enologia de excelência, plantas robustas e tecnologia de ponta. O objetivo é um só, valorizar a singularidade do Dão.”



Não esqueceu a DOP Lafões, nem a necessidade de um contexto fiscal mais benevolente para quem faz do vinho o seu fôlego de vida. O foco é claro: defender a Região com responsabilidade, honrando os clientes que, com a sua exigência, tornam o Dão eterno.



O epílogo, correu de feição e copo na mão. Eu, de sentidos apurados e ouvidos atentos a este “orgulho na cultura do vinho”, deixei-me seduzir pelo convívio. Entre brancos de frescura cortante e tintos de veludo, confirmei o que todos sentiam, há fogo novo no Dão. É a força da terra, a alegria do produtor e o poder de quem o bebe. É o Dão, pois então!






