Ao Paço!


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Ao Paço!

Apanhei uma sexta-feira das duras, mas divertidas. A agenda, de papel como convém, atirava a geografia para Mateus, quase a bordejar o Marão e para o Fontelo.

No Palácio de Mateus, jornada de editor, ‘Agricultura(s) a minha vida!’, o livro do José Martino que editámos neste Armazém. Sempre a lavrar terra, faltava outro item, a conversa no Paço. A jornada começou numa geografia e culminou na outra, lá chegarei, é já ali, no fundo da A 24, ou, indo pela Nacional 2, na dobra de Paraduça.

As horas dos encómios trouxeram uma sopa, no Palácio de Mateus e uns acepipes, no Paço do Fontelo. A este conheço-lhe as entranhas, da adega ao torreão. E que me levou ao Paço, um dos monumentos mais emblemáticos da cidade e ícone da Região Demarcada do Dão? Originalmente construído no século XIV, o Paço foi a antiga residência de Verão dos Bispos de Viseu. O edifício que vemos hoje deve muito à profunda remodelação iniciada pelo Bispo D. Miguel da Silva no século XVI, que lhe conferiu uma forte marca renascentista. Trabalho de muitos e, sobremodo do mestre Francisco Cremona.

Ora a administração da Comissão Vitivinícola Regional do Dão decidiu abrir o Paço ao povo e na noite desta sexta-feira deu foros ao portal renascentista e abriu as portas às Tertúlias do Fontelo. Conversa e vinho, é sabido, não é convite, é incumbência e encargo. E eu, visto o Alvarelhão ao Mateus, que por acaso também é casta do rol do Dão, antiga que responde por Brancelho e que está quase no esquecimento, fiz-me ao caminho.

No Paço, casa cheia, as Tertúlias do Fontelo gizadas na ardósia, tomadas as notas de um périplo sempre a lavrar vinho, tomei logo assento. Conversa, muito povo da saúde e do vinho. E é bonito. Ver o Paço assim aberto à conversa.

Manuel Pinheiro, anfitrião e Presidente, lembrou “o vinho e a cultura numa Casa aberta a todos”. A Casa é nossa e o orgulho pelo Dão, que Manuel Pinheiro acrescenta sempre, e bem, moderação. A nossa identidade. O vinho da nossa região é bom e evocado logo ali o “Casa da Passarella Vindima 2014”, ‘O Melhor Tinto 2025’. Responsabilidade. No consumo. Moderação. Ora Paço, capela e vinho de missa, tomou a palavra o Alcaide de Viseu. Lembrada a cultura e tradição, João Azevedo tomou como obrigação a economia do vinho. E para palestrar um médico. Médico e professor.

Adalberto Campos Fernandes, antigo ministro da Saúde e voz do comentariado televisivo, não nos deixou de surpreender com uma palestra simples, no entendimento e nos números. Foram 50 anos de sucesso do Serviço Nacional de Saúde, onde nem tudo está bem, mas lembrou estar numa “cidade mais feliz no Dia Mundial da Felicidade”. Loquaz, gárrulo até, apontou a estes dias crispados, sentimentos sociais adversos e a necessidade de estimular os mais novos para os últimos 50 anos; valeram a pena. Valeram pois! E essa querença na melhoria dos indicadores da saúde e da pobreza estrutural. Grande desafio para os próximos anos, chegar aos 78 com qualidade de vida. Perguntas e respostas, viver mais fora da vida profissional, longevidade na economia, conceito novo para mim e que ainda hoje me tem a moleirinha a carburar. Quem vai cuidar de quem e quem irá sustentar?

Atrevido, lá atirei uma pergunta, antes de me fazer ao vinho e às vitualhas. E que me disse o Médico? “Um circuito de dez rotundas”, para diminuir a protuberância da barriga, consulta sem aggiornamento e vinho. Com moderação.

Boa, a certeira conversa. Tertúlia. E digo-o de feliz.

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