

Foi o primeiro vinho de 2024 que provei e retenho na retina o espanto da Anita, “isto é muito bom e a este preço!”. Persegui na grande cruzada. O Encruzado, que está em grande expansão, é, em bom rigor, um vinho de estalo.
Varietal, fresco e primaveril de aromas, produziram 27.000 garrafas com vinificação clássica, a bica aberta, uvas prensadas antes da fermentação, suavidade e bons aromas. Fermentou com a temperatura controlada, os brancos gostam do frio e estagiou em inox.
Contrariando os meus cânones, estou a aprender a destrinçar os novos vinhos, da última colheita e este, com 13,5º e um esportulo de 2,40 euros, em loja é um clássico, de cor citrina, aroma jovem, paladar fresco, boa estrutura e ótima acidez. Sendo jovem, não deixa de ter um longo, feliz e agradável final. Equilibrado e calibrado.
A vindima de 2024, a última até ao momento, trouxe humidade, geadas em abril, algum desavinho ou melhor, acidentes fisiológicos resultantes da ausência de fecundação das flores e consequente queda. Se a floração correr em tempo frio e pouco soalheiro, ou com tempo quente que acrescenta vigor aos ramos e esquece os cachos. Há soluções na agronomia e na enologia mas a metrologia é o que foi e deu-nos ano bom, para os cachos que vingaram depois do granizo de junho e dos fogos de setembro, mês em que o aparecimento das chuvas limpou as uvas. Em suma, boa qualidade, menos quantidade.
Este Foral Dom Henrique Reserva Encruzado 2024 recomenda guarda, mas pode-se beber nos entretantos, mineral, floral e complexo. Com mineralidade e uns vigorosos 13,5, pede comida. Comida e, em podendo, sesta.
O Foral Dom Henrique Reserva Encruzado 2024 é bom e extremamente barato. Um regalo.






