

Amarelo, com uns laivos esverdeados, traz com ele aromas frescos, mineralidade e boa acidez. Bebemo-lo, como sucede tantas vezes, de aperitivo antes de almoço domingueiro, naquele entretém de mesa composta, de paio, pão e torresmos.
Boa vibração, para um vinho com boa estrutura, um final eloquente que nos diz tudo do vinho. Sou suspeito, conheço a quinta, e os proprietários, há ali amor às cepas, aos vinhos e a Santar. A Quinta produz outros produtos, incluindo um delicioso chá preto com chocolate. Chá, a meio da tarde, com acrescento.

Voltemos à adega. Límpido, vinho de lote com as castas Encruzado, Malvasia Fina e Cerceal Branco, o que explica os aromas florais e a robustez dos 13º, de vinhas ensolaradas e Vila que tem, ainda, muito para dar ao Dão.
Em 2023 a vindima trouxe boa qualidade, num ano ameno, aqui e ali meteorologia extrema e, o pesadelo do lavrador, alguma chuva já com a colheita em andamento. Apesar da contrariedade, o Dão teve um ano excecional, em qualidade e volume, resultado de um ciclo favorável à evolução das uvas, nalguns casos colhidas antes do carregar das chuvas.
O Quinta do Sobral branco, 6,95 euros em loja, agita o nariz, na boca é fresco e, no final, fica ali a inquietar-nos a alma. O produtor tem enoturismo e, no topo da adega, varanda contemplativa a Santar.
A Quinta do Sobral começou a vindima em 1997, com o costumeiro problema do minifúndio e das parcelas que não vendem, nem cultivam. Apesar da contrariedade, as vinhas velhas foram recuperadas, plantadas novas cepas e, três anos depois, a adega. Hoje soma 15 hectares de vinha, rodeada por floresta.
Muito equilibrado, gastronómico, impertinente. Um branco eloquente e avontadado.






