Intenso, macio e complexo. Assim, nariz posto ao ar e no copo, cigarro na mão e eu a apreciar o Dão, num intervalar de refeição.
A Vinha dos Amores é uma das extraordinária paisagens do Dão, cada vez que desço e subo a Nacional 232 paro sempre para fotografar, dizem os mais velhos que se chama assim pelos namoricos, eu, porém, apaixonado pela Anita, toco-lhe pelo coração. Cor grená intenso, fruta vermelha bem madura, de boa estrutura.

Produzido com esmagamento com desengace total, maceração pelicular prolongada e suave, fermentação alcoólica; depois 18 meses em barricas de Carvalho Francês e 6 meses em garrafa. Não é uma madeira intrusiva, antes um doce embalar, num ano terrível para a vindima. Aquele 2018 trouxe perdas significativas e, nalguns casos, catastróficas. No entanto, viticultura e enologia, resistência da Touriga Nacional e lá demos a volta aos desmandos da meteorologia. No final, tintos de natureza excecional, como este.


O ano vitícola 2018/19 apresentou-se de Inverno seco e frio, pouca chuva, Primavera quente e seca, Abril águas mil e lá chegámos. As uvas apresentaram um estado sanitário ótimo, que resultou neste monocasta guloso, complexidade aromática e, no que me interessa, potencial de envelhecimento enorme.
No beber, macio. Merece bem os 26,90 euros pedidos, para mim, que não sigo as tendências, e luto contra elas, e Touriga Nacional exige tempo de descanso. Botem-lhe os 14º e perceberão do que falo.

Frutado, macio, bem estruturado e longa persistência final. Como os amores.






