A estrada das vinhas


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A estrada das vinhas

Adoro estradas, tenho até ideias para elas, estradas que contam histórias, como a que atravessa Silgueiros. Está pensado, estruturado, falta-lhe porto, que em breve chegará. Das minhas favoritas, a EN-231 não é apenas um caminho. É um fio de ouro que serpenteia por entre a alma do Dão. Começa a dança em Silgueiros, onde cada curva desvenda um novo segredo. De um lado, o olhar perde-se em vinhas infinitas, que pintam as colinas de verde e ocre, como um mar de folhas à espera do sol. São vinhas em grandes quantidades, um tapete vivo, ordenado em linhas perfeitas que parecem desenhadas pela mão de um mestre.

Ao longe o vinhedo de Santar, Amores e Contador, mas eu nesta abalada prefiro cortar na Baiuca de Silgueiros, e sim, bei sei o que diz o dicionário, meu fiel amigo, mas basta retermos a taberna, para compreendermos esta virada, antes de prosseguir caminho.

A paisagem é um quadro de contrastes. O verde das videiras é ladeado por muros de granito, antigos e robustos. Pedras ancestrais que contam a história da terra, frias ao toque, mas cheias de calor e memória. Elas guardam os segredos dos vinhedos, protegendo as uvas que darão vida aos vinhos.

E no horizonte, como um guardião silencioso, ergue-se a Serra da Estrela. As suas encostas rochosas, por vezes cobertas de neve, oferecem um contraste dramático com a suavidade das vinhas. A vista para a serra da Estrela é um convite à contemplação, um lembrete de que a natureza, aqui, é grandiosa e imponente.

Esta é uma paisagem de encher o olho, onde cada pormenor é um verso. É a beleza rústica do Dão, onde o trabalho da terra se funde com a serenidade do horizonte.

A EN-231 não nos leva apenas a um destino, leva-nos à essência da região, ao coração de um dos seus vinhos mais nobres. É um caminho para o corpo e para a alma.

De um lado, o olhar perde-se em vinhas infinitas, que pintam as colinas de verde e ocre, como um mar de folhas à espera do sol. São vinhas em grandes quantidades, um tapete vivo, ordenado em linhas perfeitas que parecem desenhadas pela mão de um mestre. Corto-lhe pela direita, ainda antes da Perpita e da Vinha de Reias e avanço pela filha, a Nacional 231-1.

O percurso da estrada e a identidade da região de Silgueiros estão profundamente ligados a esses detalhes, a Nacional 231-1 está ladeada por pequenas e médias propriedades, onde as vinhas se estendem até onde a vista alcança, meticulosamente protegidas por muros de granito. É uma paisagem humana e natural em perfeita harmonia. As oliveiras que pontuam e delimitam a estrada são uma característica inconfundível. Elas dão um toque de rusticidade e tradição, reforçando a identidade agrícola da região.

A descrição da estrada é ainda mais completa com a presença das oliveiras. A bordadura das oliveiras a delimitar a estrada é uma imagem icónica da paisagem do Dão. Elas não só criam uma linha de demarcação natural, separando o asfalto das vinhas, mas também simbolizam a riqueza e a complementaridade agrícola da região. As oliveiras, muitas delas seculares, são testemunhas silenciosas do tempo, oferecendo a sua sombra e o seu fruto, o azeite, que é tão essencial para a gastronomia local como o vinho.

A EN-231-1 é o proscénio, grande beleza cénica e enorme importância para a produção de vinhos na região, sendo uma espécie de “coração” da paisagem vinícola de Silgueiros, uma das zonas vitivinícolas, com estatuto de sub-região, mais importantes e conceituadas do Dão. Embora seja difícil quantificar o número exato de produtores (muitos são pequenas propriedades familiares que vendem as suas uvas a cooperativas), a Adega de Silgueiros, por si só, agrupa centenas de viticultores, o que demonstra a grande densidade de produtores na área.

Além da cooperativa, existem produtores de renome com projetos individuais na região de Silgueiros. A Quinta de Lemos é um excelente exemplo, com uma produção de alta qualidade, reconhecida nacional e internacionalmente. O projeto Silgueiros Wine também se dedica a promover vinhos de diferentes produtores locais, mostrando a vitalidade e a diversidade da produção na região. A CM Wines, Vinha Paz, a Quinta da Falorca e o seu repositório de clones de Touriga Nacional, ampelografia que mostra cuidado no futuro, um projeto de grande importância para a preservação e estudo de uma das castas mais emblemáticas do Dão.

Além dos já referidos, e dos que me esqueci e a quem peço olvido, a freguesia conta com a Quinta de Reis e a Quinta do Perdigão, localizadas em Pindelo de Silgueiros, que são também produtores afamados.

É esta combinação de vinhas, oliveiras, muros de granito e a majestosa vista para a serra que confere à EN-231-1 uma beleza única, transformando uma simples estrada numa experiência sensorial e cultural. É um percurso que nos faz sentir o pulsar da terra e a tradição dos seus habitantes.

A EN-231-1, e Silgueiros. é, de facto, a de uma região onde a vinha e a paisagem se fundem para criar vinhos de excelência, com uma identidade muito própria e um legado vitivinícola de grande valor.

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