As vinhas da montanha


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As vinhas da montanha

Queijos. Queijos e vinhos. É isto que gosto na altitude, ao alto, na montanha, em Gouveia. O queijo, os sabores, mai-la serra e a Estrela, aparição em Gouveia, jardim dos hermínios, queijaria da montanha, transumância, lã, carne, leite, cabritos, taninos, sustentos e vida.

Fiz este roteiro a pensar nos taninos da montanha, na alma dos produtores que abraçam a altitude da Serra da Estrela, essa manifestação sublime que se insere, geograficamente, na Região Demarcada do Dão.

Conto-vos que estes são os vinhos de altitude que, pela frescura das noites serranas e pelo terroir granítico, exalam uma frescura e mineralidade que nos limpa a alma.

Sim, o Alavão é o principal e mais importante período de produção de leite para o autêntico Queijo Serra da Estrela, vai até para lá do Inverno, o leite das ovelhas da raça bordaleira, rico e abundante, essencial para a qualidade e características únicas deste queijo DOP. 

Depois os vinhos, os produtores que abraçam a altitude da Serra da Estrela, essa manifestação da Serra da Estrela, inserida na Região Demarcada do Dão. Vinhos de altitude que exalam frescura e mineralidade. Entre os vinhateiros que aqui assentaram raízes, destacam-se a Textura Wines, em São Paio, projeto que se dedica a exprimir o terroir granítico e as características únicas do clima serrano, e a imponente Quinta Madre de Água, mais abaixo em Vinhó. Ao alta, a Casa da Passarela, em Arcozelo da Serra. Ainda Tazem, o Pai Américo. Enoturismo, tradição queijeira.  O roteiro dos taninos da montanha, a alma dos produtores que abraçam a altitude da Serra da Estrela, essa manifestação sublime que se insere na Região Demarcada do Dão.

Arcozelo e Tazem obriga ainda a atravessar a Estrada Nacional 17, para mim, por Rio Torto.

A vida que ecoa da serra, uma viagem que me levou do granito mais puro à mesa farta, sempre guiado pela altitude, pelas pequenas estradas que rasgam a serra e ligam as aldeias.

A voz da montanha, num fôlego longo e sentido, tal como o exigem os grandes horizontes da Serra da Estrela. Digo-vos eu, com a verdade do granito e a pureza do leite, que o que me atrai a estas alturas de Gouveia é a sinfonia imperfeita e perfeita da altitude, Queijo e vinhos. Dão. É isto que me enamora, ao alto, na montanha, a Estrela que se faz aparição sobre o Jardim dos Hermínios. Vim em busca da queijaria da montanha, do rasto da transumância, da lã que aquece, da carne que sustenta, do leite, dos cabritos, dos taninos, dos sustentos e vida que esta terra generosa oferece.

A raça ovina Serra da Estrela é, em termos numéricos, uma das principais raças autóctones de Portugal, 70.000 animais no pasto, ovelhas brancas e pretas.

Os novelos de lã Beiroa são feitos da lã das ovelhas da Serra da Estrela, as mesmas de cujo leite se faz a maravilha da cozinha, da mesa, conduto de conversas e sabores, quentura do corpo, aconchego da alma. Borregos, cabritos, cabras e ovelhas que tiram partido desta natureza.

Eu fiz o caminho dos antigos.

O caminho, embora longe, trouxe-me cá, à Gaudela, ao Calvário, à Cabeça do Velho e à Pedra do Equilíbrio. Eu vi os cachos e mantas, os verdes, brancos, vermelhos e castanhos que compõem este rodízio pátrio. A tecelagem, bordados, mantas e farrapos, as camisolas e os casacos, toda esta vida que vai a Melo, terra de Vergílio Ferreira, volto e revolto, subo ao Folgosinho, num ciclo constante de solidão, eternidade, pedras. E vinhas. E queijos. E montanha.

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