

A garrafa chamou-me a atenção, ali com o pendão e um inglesado “late release”, ou seja, um lançamento mais tardio.
A Adega de Tazem foi fundada em 1954, sempre no modelo cooperativo que, e ainda bem, teima em resistir. Ao mercado nacional chegou em 1980, com a marca, “Encosta da Estrela”.
Pedra da Orca também é chancela já com pergaminhos, o ouvido já sabe ao que vai. E eu fui num Rosé 2022, com desengace total, fermentação em depósito inox com temperatura controlada e um longo sono de 12 meses em cuba de cimento.
Aberto o rosado, vem lá o vermelho da Touriga extraída com cuidado e o Alfrocheiro que, assinala o meu nariz, lhe dá o tom de frutos vermelhos, florados e de acidez equilibrada. Mas há ali corpo a querer medrar.
Vila Nova de Tazem tem história na demarcação do Dão e nos vinhos. Acostumados aos brancos, por vezes desligamos dos tintos e os rosés escapam ao sonar. Este mereceu bem o olhar, custou-me 4,81 euros, na garrafeira.
Esportulado com Touriga-Nacional e Alfrocheiro, fizeram duas mil garrafas de um vinho catita, bem extraído, robusto e versátil nos seus 12,5º.
Trouxe-o a pensar entradeiro, mas acabou a insistir em ficar na mesa. Uma feijoada tardia, frugal de carnes e uns bifes de vitela na chapa foram singela merenda para este guloso e económico vinho.
Justifica-se com a vindima de 2022, com o pintor a aparecer mais cedo, num ano seco, mas bom. Boa qualidade de uvas a entrar em adega, beneficiárias da precipitação escassa, vindima a começar cedo e a retirar vantagem da altitude, que deitou a mão às maturações. Deixou vinhos de boa qualidade e com enorme potencial de guarda. Este lá chegará, deixem o tempo falar.
Entrou fechado ao nariz, a fruta demorada ao palato, rijo, acidez viva a sobressair, com 12 graus é um vinho leve, sério que vai melhorar com o tempo. Frugal na disciplina, jovem e ainda inquieto, há que preservar. Ou o bebe já, mas, sim, seja curioso. O valor da garrafa suporta bem o risco da espera.
Espere mais um ano que teremos ali um senhor vinho, complexo e competente.






